quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rolê paraguaio, parte II: Indo

Parte I

O dia chegou. 1º de junho de 2010, terça-feira. Nós iríamos para o Paraguai.



A hora de saída do ônibus se aproximava. Às seis da tarde, nós estaríamos viajando rumo a Foz do Iguaçu. Eu e o Vinícius Blanka combinamos de chegar às cinco e meia na Estação da Luz. Ele sairia da estação Santa Cruz. Eu, da Marechal Deodoro. Fechei a porta do apartamento pouco antes das cinco, e entrei no elevador. A porta bateu de um jeito estranho, e ele não desceu. “Bom sinal, hein!”, pensei. Apertei o alarme, mas nada aconteceu. Fiquei um minuto ali parado, até que a porta abriu, e eu desci pelo outro elevador. Sei lá o que aconteceu.

Alguns minutos depois, peguei o metrô, que estranhamente não estava lotado, e cheguei pouco antes das cinco e meia na Luz. Liguei para o Blanka, que ainda estava saindo do trabalho e deveria chegar até dez para as seis. Dez minutos antes de o nosso ônibus sair. Fiquei tenso, ia dar tudo errado, íamos perder o ônibus. E, mais atrasado do que o prometido, o Blanka chegou. Não sabíamos direito pra que lado sair, e eu ainda escolhi a saída errada, pela Prestes Maia, que é um pouco mais longe da Barão de Duprat, de onde o ônibus sairia. Acabamos chegando lá um pouco depois das seis, e, para meu alívio, muita gente ainda se aglomerava por ali. Procuramos a Laís, com quem o Blanka tinha falado anteriormente, e descobrimos que ela não iria. Quem iria era o Roberto, um cara estilo galã de novela mexicana de baixo orçamento. Ele perguntou nossos nomes, anotou numa prancheta, e nós entramos no ônibus. Passagem? O que é isso?

Não era um ônibus vagabundo, como eu pensei que fosse. Era bem decente, até, me surpreendi. Sentamos nas nossas poltronas, e esperamos. Só saímos meia hora depois, o suficiente pra eu me achar idiota por ficar tenso com o horário. Enquanto isso, eu me acostumava com a ideia de estar dentro de um ônibus de sacoleiros, indo para Foz do Iguaçu. Enfrentaríamos assaltantes na Ponte da Amizade, passaríamos da cota sem pagar impostos, consumiríamos haxixe, e seríamos presos pela Polícia Federal. Ou não.

Logo no começo da viagem, dormi. Acordei quando paramos para comer, não tinha nem passado das nove da noite. Mas essa seria a única parada. Enquanto comíamos, lembramos que havia um trabalho a ser feito. Observávamos as pessoas que viajavam conosco no ônibus. Sentamos com um senhor, que pensávamos que estava com a gente. Conversamos um pouco, até ele dizer que era um caminhoneiro da região. Isso significa que ele era imprestável para nossos interesses, então não continuamos com a conversa. Depois de comermos, identifiquei um outro senhor, com uma expressão simpática, que estava no ônibus.

- Blanka, aquele ali parece ser simpático. – eu falei.

 De volta ao ônibus, ele estava sentado com um outro homem, esse não muito simpático, nas poltronas ao lado das nossas. O Blanka, com toda sua alegria, começou a conversar com ele. Ajustamos o gravador, e o senhor, que se chamava Araújo, falou. Falou bastante, contou da vida dele, que viajava toda semana, que era de São Bernardo, que foi dirigente sindical, nos deu maiores explicações sobre como faríamos em Foz do Iguaçu, para atravessarmos a Ponte da Amizade, e como deveríamos proceder no Paraguai, em que lojas poderíamos ir e quais lojas precisaríamos evitar. Ótimo, já tínhamos alguém pra colocar no trabalho. Depois de muito ouvir seu Araújo falar, nós dormimos, confortavelmente, nas poltronas. Ressalto isso, porque tinha gente estendendo colchão no corredor do ônibus, que era de uma largura mínima.

Acordamos com a luz do dia, já em Foz do Iguaçu.

Continua...

Parte III 
Parte IV

3 comentários:

  1. acho que vou te ligar pra vc me contar logo o desfecho dessa tramoia...to curioso PACAS!!!

    ResponderEliminar
  2. Acho que dava pra ter contado um pouquinho mais nesse post :P Até a travessia da Ponte da Amizade, por exemplo.

    ResponderEliminar
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar