Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2. (post aqui)
Porque a série acabou nos cinemas de uma maneira quase perfeita, merecendo todos os aplausos e reverências do público. A última parte da saga talvez não seja tecnicamente uma produção merecedora de vencer um Oscar, mas e daí? Foi um filme fiel ao livro, carregado de sentimentos e de representatividade para os fãs. O anterior tinha sido, até então, o melhor da série, e esse correspondeu às expectativas e tomou-lhe o posto.
Assim como fiz em 2010, vou escolher outro além de "Harry Potter" pra não ficar tão na cara que estou puxando a sardinha. Apesar de ser um filme de 2010, foi na maratona do Oscar, quando assisti aos indicados a melhor filme em pouco tempo, que assisti e gostei muito de "O Discurso do Rei", um filme brilhante, que indico a qualquer um que ainda não tenha assistido.
Outros que assisti esse ano e gostei muito: "Quem quer ser um milionário?", "Cisne Negro" e "Minhas mães e meu pai".
Nem sei o que dizer. Faz mais de três dias que assisti "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2", e desde então pensei muitas vezes, mas não sei o que escrever. São tantas coisas que passam pela cabeça, porque Harry Potter representa tanta coisa, que eu realmente não sei se o que eu disser vai passar todo o significado da série pra mim. Mas eu tento.
Todo mundo já sabia que seria assim. Todo mundo sabia que quando o Expresso de Hogwarts sumisse pela última vez diante dos nossos olhos o sentimento de vazio nos invadiria. O que esperávamos era que o último filme, o último grande momento que nós, fãs, tanto aguardamos, chegasse perto da perfeição.
E, sinceramente, chegou. Mesmo com as invenções mirabolantes e alterações desnecessárias de sempre, foi genial, foi digno de todos os aplausos de pé que recebeu. Chegou sim perto da perfeição, ao menos mais perto que todos os anteriores. O fato de esse ser o último, convenhamos, agradaria a todos os fãs de qualquer forma. E o fato de a parte final do último livro ser tão movimentada e bem trabalhada ajudaria, isso sempre esteve claro. Mas, ainda assim, superou todas as expectativas.
A emocionante despedida do elenco das gravações
Ao fim do filme, com aquela trilha sonora tão característica tocando ao fundo, foi inevitável não lembrar dos quase 10 anos em que Harry Potter esteve presente na minha vida. Flashes de momentos de leitura, de lançamentos dos livros, das estreias dos outros filmes, tudo isso passou pela minha cabeça ao mesmo tempo. Desde minha ida à livraria para comprar o primeiro livro, até a última vez que reli Relíquias da Morte. Desde a estreia de Pedra Filosofal até o momento em que estiquei o pescoço para acompanhar da primeira fileira o fim de Harry Potter.
Se tem algo que o Harry me ensinou foi a valorizar sempre as pessoas ao meu redor. Principalmente aquelas que estão sempre com você, aconteça o que acontecer, como sempre estiveram Rony e Hermione. E elas estavam ao meu lado quando o filme acabou. Como estavam comigo enquanto eu comprava ou lia os livros. Como estiveram e estão, de um jeito ou de outro, por perto. Como espero que estejam sempre.
Harry Potter acabou? Os livros acabaram. Os filmes acabaram. Mas a magia não acabou. Tudo o que o Harry aprendeu e nós, fãs, aprendemos junto, seja pelas palavras de J.K. Rowling ou pelo mundo à nossa volta, não vai acabar tão cedo.
Parece que foi ontem que eu tive a ideia de fazer um blog. Não tinha ideias pra títulos, apenas uma ideia de post: eu queria falar sobre Harry Potter, queria contar a minha história com a série. Como expliquei depois, motivado por um post no blog da Isa que comparava a saga com Crepúsculo. Achei até que Harry Potter seria um tema recorrente por aqui, mas acabei falando menos do que pensei que falaria. Mas não se preocupem, o calendário vai exigir de mim outro post sobre isso muito em breve.
Então, naquele dia de final de Copa do Mundo, sentei e fiz o texto. Mas antes eu precisava de um título. Algo vago, que não restringisse meus posts. Queria me permitir falar sobre qualquer coisa. Depois de muito pensar, escolhi "Eh bien" porque é uma expressão recorrente de um personagem criado por Agatha Christie, da qual vocês também puderam descobrir que sou fã. Só precisaria explicar o que exatamente eu queria dizer com aquilo, para que não houvesse dúvidas. Até hoje, muita gente me pergunta o motivo desse título. Eu sempre peço pra procurar o primeiro post. Logo depois dessa explicação, postei meu texto sobre Harry Potter. Até hoje, está entre os que mais gosto por aqui.
Um ano depois, aqui sentado no sofá, assistindo a um documentário sobre a final da Copa do Mundo, pensei no que eu poderia fazer pra "comemorar" esse primeiro aniversário do blog. Decidi fazer o seguinte: destacar, entre os 65 posts, os quatro mais comentados e os quatro que mais gosto - desde que não estejam entre os quatro mais comentados, e contar um pouco de cada um deles.
Os mais comentados
4) Dizem que somos piratas. Somos?
Foi um assunto que eu sempre quis abordar, tamanha a injustiça que existe com relação a isso. Todo mundo baixa tudo na internet, e a lei insiste em ser acéfala quando não se obtém lucro. Até mesmo com produtos que não existem mais no mercado. E o que existe, vocês sabem, custa muito caro, e abaixar o preço ninguém quer.
O primeiro texto de verdade, o que motivou o blog. Foi importantíssimo pra aprender a escrever de um jeito diferente, a escrever diretamente pra outras pessoas, além de escrever pra mim mesmo. E escrever sobre uma das coisas que mais gosto seria essencial pra começar.
Inspirado pelo bróder Victor, comecei a procurar outras versões dessa música, que já gostava bastante. Depois de conhecer várias, resolvi fazer um ranking das versões que mais gostei. O resultado foi bem legal, e as pessoas parecem ter gostado. Ainda bem.
1) A infância nos anos 90
Valeu a pena passar uma tarde e uma parte da noite fazendo esse post. A divulgação no Ocioso foi essencial pra ser o mais comentado e pra render visitas ao blog até hoje. Mas é daqueles posts que te dão orgulho depois de prontos.
Uma ideia comum, que muita gente deve ter feito, e que surgiu de repente, quando vi que tinha assistido a todos os filmes entre os indicados ao Oscar. Gostei bastante do resultado.
Uma coisa que nunca gostei foi de gente que gosta de controlar o que você assiste na TV. Os argumentos de quem odeia Big Brother e quer julgar quem assiste são sempre os mesmos, e sempre me irritaram. Quem não gosta tem todo o direito de não gostar, mas não tem moral alguma pra decidir o que os outros devem assistir ou não.
Foi um dos textos mais automáticos que já fiz, e esses são sempre os melhores. O texto me levou mais do que eu o levei. 1) A emoção do futebol
"Motivado" pela tristeza que abalou os palmeirenses após a eliminação inesperada do Palmeiras diante do Goiás na Copa Sul-Americana, resolvi escrever pra contar a emoção que uma partida de futebol provoca naqueles que amam o esporte, baseando-me na experiência própria da eliminação do Flamengo na Libertadores de 2008.
Por fim, obrigado a todos vocês que visitaram o blog, comentando ou não, que tenham vindo porque viram um post que acharam interessante ou porque são meus amigos ou gostam do que escrevo. Espero que continuem vindo aqui por mais um ano, ou seja lá quanto tempo for.
Descobri na semana passada, sentindo na pele, como as pessoas podem mudar, e rápido, de opinião. No caso, eu me lembro de dizer que o Oscar é uma cerimônia irrelevante. Inclusive acho que a opinião da Academia representa muito pouco perto do que o público em geral representa. Mesmo assim, não acho mais tão irrelevante, claro que não é. Pra minha vida é, mas pra de alguém que ama cinema ou que vive dele, jamais.
E eu julguei o Oscar dessa maneira porque entendo pouco de cinema, e nunca fui de criticar filmes. Tenho uma tendência a achar que qualquer filme é ótimo e que a maioria das atuações são maravilhosas, a ser "maria-vai-com-as-outras" seguir opiniões de gente que entende, e por aí vai.
A lista dos indicados saiu há algumas semanas, e me atraiu, coisa que nunca tinha acontecido antes. Na época, tinha assistido a três entre os dez melhores filmes, e queria conferir "Cisne Negro". E fui. E ouvi falar bem de um ou outro, baixando, assistindo, e quando me dei conta, faltavam dois ou três para que, pela primeira vez na minha vida, eu conhecesse todos os filmes indicados ao Oscar (na categoria "Melhor Filme", claro). Não perdi a oportunidade, e, mesmo sem saber muita coisa, resolvi criticar. E, pra não se perder no que eu disser, confiram a lista de todos os indicados em todas as categorias aqui.
Antes de tudo, vou fazer uma reclamação sobre a birra da Academia com "A Origem". Mesmo indicado ao prêmio mais cobiçado, o diretor Christopher Nolan não foi lembrado, assim como Leonardo DiCaprio. Jesse Eisenberg foi bem? Foi. Jeff Bridges foi bem? Sim (eu avisei, eu não sei criticar). Mas nenhum dos dois o passou pra trás. Isso pra não falar nos atores coadjuvantes.
Dito isso, depois de assistir aos dez melhores filmes do ano, na visão da Academia, preparei um ranking com todos eles, com uma sinopse rápida (menos de um tweet - 140 caracteres), e uma rápida análise, misturando um pouco o que eu torço com o que eu acho que vai acontecer. Lembrem-se: eu não sei nada de cinema, apenas analisei como uma pessoa (quase) normal.
10º - Toy Story 3
Sinopse: Andy vai para a faculdade, e seus brinquedos acabam indo para uma creche. Lá, eles não recebem o carinho que esperavam.
Não, não coloquei "Toy Story" no último lugar porque não gostei do filme. Muito longe disso, o filme é o melhor da trilogia da Pixar, e, ainda que outros da lista possam ter sido melhores, criticamente falando, foi o único que realmente me encantou. Mas deve ganhar como melhor animação, e por isso eu, talvez injustamente, o desconsidero na disputa de melhor filme.
9º - Bravura Indômita
Sinopse: O pai de uma garota é assassinado. Ela resolve se vingar do assassino, e procura ajuda para encontrá-lo.
Não gostei. Ouvi falar bem do filme, e não correspondeu às minhas expectativas. O desenrolar da história é monótono, e me deu sono. Se foi dessa forma, que o final fosse mais animador. Mas não foi. (Se gostaram, não me xinguem. Consegui falar mal de um filme, olhem só.)
8º - Inverno da Alma
Sinopse: Garota de sorte tem que cuidar dos irmãos porque a mãe é doente. O pai, preso, vendeu a casa para sair da prisão. Ela vai procurá-lo.
Mais um filme monótono. Mas a atriz principal é brilhante, e mereceu a indicação que recebeu ao prêmio de melhor atriz. O papel dramático pode ter ajudado, mas ela o desempenhou de forma incontestável.
7º - A Rede Social
Sinopse: A saga do cara que criou o Facebook e de como ele ganhou toneladas de dinheiro e de processos.
Abaixem as armas. E me desculpem por não ter gostado tanto do filme. Não sei exatamente o porquê, mas não me conquistou. Foi muito bem feito, só não acho que mereça vôos mais altos. Talvez até consiga, não duvido disso.
6º - 127 Horas
Sinopse: Alpinista cai numa fenda, e uma pedra prende seu braço direito. Durante alguns dias, ele se diverte com sua câmera e seus pensamentos.
Não é exatamente o tipo de filme que eu gosto. E eu acabei gostando, e só por isso já merece aplausos. E eu recomendo, a quem julga o filme da mesma forma que eu julguei ("E ele fica o filme inteiro lá parado?"), que assista.
5º - O Vencedor
Sinopse: Lutador é treinado pelo irmão, que não se deu bem na carreira por conta das drogas. Com o apoio da família e da namorada, ele tenta vencer.
É, sem dúvidas, um filme sensacional. Inclusive acho que o Mark Wahlberg merecia uma indicação. Em compensação, os coadjuvantes se destacaram, e não devem sair de mãos abanando. (Se o Mark Wahlberg não foi tão bem assim, percebam vocês como eu sou um ótimo crítico)
4º - Minhas mães e meu pai
Sinopse: Filhos de um casal de lésbicas buscam o homem que doou sêmen para a inseminação de ambos. Ele os conhece, e acaba mudando a vida da família.
Foi o que mais me surpreendeu positivamente. Não esperava um filme tão bom. Infelizmente, não deve confirmar nenhuma das indicações.
3º - Cisne Negro
Sinopse: Bailarina é escolhida para o papel principal de "O Lago dos Cisnes". Depois disso, ela se vê "perseguida" por sua personagem.
É um filme perturbador. E é irritante como te deixa tenso. E como a Natalie Portman foi... perfeita.
2º - O Discurso do Rei
Sinopse: Um dos filhos do Rei é gago, e sua mulher o leva para um fonoaudiólogo. Relutante, ele vai, e acaba criando uma amizade essencial para ele.
Concordo com todas as críticas positivas a "O Discurso do Rei". Correspondeu a todas as expectativas. As interpretações de Colin Firth e Geoffrey Rush são... dignas de Oscar. E é o filme em que aposto para levar a estatueta.
Como já disse antes, apesar dessa indicação, foi injustiçado nas premiações individuais. Até por isso, acho que está longe de vencer, mas tem a minha torcida. Foi, talvez até de todos que já vi na vida, o filme que mais me fez pensar depois que eu terminei de assistir. Eu sei que tem gente que não gostou exatamente por isso, por ser perturbador, mas a ideia (louca) de "A Origem" me agradou.
----- Bom, é isso. Se quiserem um especial feito por alguém que está mais familiarizado com cinema, recomendo o que a Fernanda fez essa semana. Vale a pena.
PS: Foi só porque eu resolvi assistir tudo, ou a lista de indicados desse ano é bem melhor que a do ano passado? Tenho a impressão de que a safra 2011 foi muito melhor.
PS(2): Não comentei nada sobre injustiças com "Harry Potter" porque os filmes sequer são unanimidade entre os fãs. Eu mesmo não sou um grande fã deles. Ainda assim, do alto da minha ignorância, acho que já mereceu pelo menos alguns prêmios individuais. Pelo que eu sei, nunca recebeu nem indicações além das categorias "blablablá".
PS(3 - juro que é o último): Reconheçam, eu sou o rei das "tweetnopses" (gostei, vou até patentear).
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1. AH, VÁ!
Estava pra fazer um post sobre o filme, mas queria assistir de novo, sem a emoção da estreia, só que ainda não tive a oportunidade. E já que agora sou meio que obrigado a falar dele, não vou deixar pra depois. Ainda que seja só um pouquinho.
Foi muito bom. Foi mais do que eu esperava. Eu sempre sou o chato que fala das falhas da adaptação do livro para o filme, e dessa vez... eu fui de novo, porque foram muitos erros. Mas dá pra relevar, e não sei explicar o motivo. É simplesmente o melhor livro na minha opinião, ao lado do primeiro, e foi levado para o cinema como o melhor filme, ao menos essa primeira parte. Vi gente reclamando que era muito parado, mas, sinceramente, não achei isso. A emoção necessária foi colocada, os fãs saíram da sala de cinema com raiva, ansiando pelo próximo dia 15 de julho, mesmo sabendo que será a última data pra esperar por algo de Harry Potter.
Como fã da série, é claro que foi o melhor filme do ano pra mim. E, para quem não gosta da série, aqui vai uma "segunda parte" do post, sem considerar Harry Potter. E aproveito também para avisar que, em vários outros momentos desse meme, a partir de agora, vou ficar "em cima do muro", dar mais de uma resposta em muitos posts, porque não vejo como não fazer isso.
Enfim, desconsiderando a 1ª parte do último Harry Potter, o meu filme preferido de 2010 foram dois (eu avisei):
A Origem (ou Inception), que fez todo mundo sair pensando do cinema, foi, pra mim, o melhor filme de 2010. Nunca vi um filme ser tão bem aceito por tanta gente.
E Toy Story 3 foi o encerramento brilhante de uma trilogia de animação que merece todos os aplausos. Eu nunca chorei assistindo a filme nenhum, e também não foi dessa vez. Mas se algum filme de 2010 merecesse minhas primeiras lágrimas, com certeza seria Toy Story 3.
Só uma ressalva: As crônicas de Nárnia - A viagem do Peregrino da Alvorada e A rede social não tiveram a oportunidade de entrar na brincadeira, e teriam boas chances de estar aqui.
Atualização: Uma hora depois de postar, me lembrei do quanto eu gostei de Tropa de Elite 2. E sim, eu esqueci. Mas, em todo caso, já falei sobre ele aqui.
Quem me conhece, ou até mesmo quem não me conhece tanto assim, sabe o quanto eu gosto de jogar futebol. Mas nem sempre foi assim. Eu costumava frequentar a biblioteca da escola no intervalo das aulas, em vez de ir jogar com os meus colegas, pelo menos até a terceira ou quarta série. Sempre gostei de ler, afinal. A cada semana, ou menos que isso, era um livro novo. Em geral, eu preferia os de mistério e suspense.
Não vou me lembrar da data exata em que ouvi falar pela primeira vez de Harry Potter, mas foi em 2001. Eu tinha nove anos, e estava ali, na biblioteca, pra variar. A diretora, que às vezes aparecia por ali, entrou, falou qualquer coisa com a bibliotecária, e depois comentou comigo:
- Você já leu o “Rére Porter”? É um best-seller, a garotada tá lendo agora. Meu (insira aqui algum grau de parentesco) leu, e achou o máximo.
- Não. – sempre falei bastante.
- Deveria ler, é uma série de quatro livros, e todo mundo diz que é bom.
Na época, Harry Potter e o Cálice de Fogo era o último livro lançado da série. E era tratado como último dos últimos por quem não tinha lido, ou não sabia que ainda viriam outros pela frente. Eu mesmo, desavisado, demorei para descobrir que a série não terminava ali.
Continuei vasculhando a estante, procurando algum livro mais interessante pra ler, e tive a curiosidade de procurar pelo tal “Rére Porter”, mas não o encontrei.
- Ué, e não tem aqui? – perguntei, um pouco indignado.
- Não. Mas qualquer livraria tem.
Ah, não acredito! Nem suspeitava disso. Enfim, ela fez a pobre recomendação dela e saiu da biblioteca. Mas eu tinha mais o que ler, né. Procurei mais um pouco e peguei algum livro qualquer, com uma capa legal e uma sinopse envolvendo mortes.
Não muito tempo depois disso, eu passeava pela imensidão do shopping de Taubaté, com a minha mãe, quando passamos em frente à livraria e notei uma pilha de exemplares de Harry Potter e a Pedra Filosofal entre os mais vendidos. Aqui eu posso dizer, com certeza, porque eu me lembro muito bem e porque eu acabei de olhar no calendário, que era dia 9 de outubro, uma terça-feira, às vésperas do feriado de dia das Crianças (um beijo pra Nossa Senhora Aparecida). Ainda não tinha pensado em nenhum presente para esvaziar os bolsos dos meus pais, então decidi, antes mesmo de entrar na livraria, que eu aceitaria a sugestão da minha diretora. Eu leria o primeiro livro do “Rére Porter”. Foi o meu presente naquele 12 de outubro. Mas quando eu terminei de lê-lo, pedi os outros três lançados até então. Minha mãe achava legal eu pedir livros pra ler, e nem se incomodou em comprá-los. E isso não foi só com Harry Potter, ainda bem.
A carta que todo mundo já quis receber um dia
Pouco mais de um mês depois, eu já era um pequeno grande viciado na série. E cheguei a contar os dias para a estreia do primeiro filme, que seria no dia 23 de novembro. Mas eu não esperava que o cinema de Taubaté estreasse o filme na data correta, porque, bem... era o cinema de Taubaté. Hoje, eu teria certeza que eles passariam, mas eu era uma criança que esperava pelo pior. Então, naquela bela tarde de sexta-feira, ainda sem saber se o filme estava em cartaz e com poucas esperanças, liguei para o cinema para saber a programação, já que o acesso à internet não era tão fácil como hoje. E eu ouvi o que eu mais queria, aliviado. Guardei o melhor horário, desliguei o telefone e fiquei pulando na cama. Sério, foi indescritível a sensação de saber que, de repente, eu estava a poucas horas de assistir ao primeiro filme de Harry Potter.
Chegando lá, nem tinha tanta gente assim. Harry Potter não era nem perto do que é hoje, não arrastava multidões para os cinemas como arrasta hoje. Também não tive que ouvir ninguém gritando porque o Harry apareceu na tela pela primeira vez. Tenho certeza que se eu for na próxima estreia, como eu sempre gostei de fazer, tanto pra acabar com a ansiedade como pra evitar ler e ouvir coisas sobre o filme antes de assistir, eu vou ouvir esses gritinhos de gente que quer aparecer, ou encontrar aquela galera maneira vestida de Luna, de hipogrifo, de vassoura ou de Hogwarts. Mas isso é outro problema. O que importa é que naquela noite eu senti que o Harry iria dominar o mundo. Ele dominou, e eu me sinto imensamente feliz de ter colaborado com isso.
De qualquer maneira, eu esbarraria nos livros da J.K. Rowling. Mas é à diretora da minha escola que eu devo agradecer por me apresentar o “Rére”. Sim, ela não sabia nada sobre os livros, mas e daí? Ela me recomendou a leitura a tempo de eu me tornar um fã e ter a alegria de conferir a estreia do primeiro filme no cinema. Parece pouco, mas talvez seja magia.