Depois da exploração que observei na Bienal do Livro, "descobri" outro tipo de exploração, um pouco mais discreto: a relação entre o preço do ingresso de uma sessão 3D com a qualidade da mesma.
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"Puta coisa bacana esse tal de 3D né meeu?" |
Você que já assistiu a algum filme em 3D: o preço que você pagou pela sessão valeu pelas sensações que você teve ao assistir o filme? Pra mim, nunca. O preço de uma dessas sessões chega a beirar R$ 30 em São Paulo.
Se o filme tiver efeitos especiais que justifiquem o lançamento da versão 3D do filme, é uma coisa. E quase dá para aceitar o preço. Foi o caso de Avatar. Os efeitos são muito bons, e fazem o filme ficar mais legal do que realmente é, a meu ver.
Mas o filme que exemplifica a exploração que estou dizendo é As Crônicas de Nárnia - A viagem do Peregrino da Alvorada. Nada contra e tudo a favor do filme em si, porque adoro a obra do C.S. Lewis, que é inclusive candidata a aparecer futuramente por aqui. A adaptação livro-cinema, por falar nisso, é muito boa, se for pra comparar com outras que vemos por aí.
O que aconteceu enquanto eu assistia à versão 3D desse filme foi o seguinte: tirei os óculos por alguns segundos, e olhei para a tela. Achei estranho a tela não estar embaçada, como normalmente fica quando você vê uma imagem 3D sem os óculos. Eu via perfeitamente o que estava acontecendo, e poderia continuar daquele jeito que não faria diferença alguma. Continuei levantando os óculos algumas vezes, principalmente quando eu esperava por efeitos especiais. Nada. Naquele momento, o 3D me pareceu algo muito mais psicológico do que qualquer outra coisa. Claro que isso não é verdade, porque os óculos não são pulseiras Power Balance porque existem filmes que trabalham de forma correta com essa tecnologia. Espero que Nárnia tenha sido um caso raro de má utilização do 3D e, consequentemente, de exploração do consumidor. Se pudesse voltar no tempo, iria na sessão normal. Teria assistido a mesma coisa e gastaria menos.