terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudo termina aqui?

Nem sei o que dizer. Faz mais de três dias que assisti "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2", e desde então pensei muitas vezes, mas não sei o que escrever. São tantas coisas que passam pela cabeça, porque Harry Potter representa tanta coisa, que eu realmente não sei se o que eu disser vai passar todo o significado da série pra mim. Mas eu tento.


Todo mundo já sabia que seria assim. Todo mundo sabia que quando o Expresso de Hogwarts sumisse pela última vez diante dos nossos olhos o sentimento de vazio nos invadiria. O que esperávamos era que o último filme, o último grande momento que nós, fãs, tanto aguardamos, chegasse perto da perfeição.

E, sinceramente, chegou. Mesmo com as invenções mirabolantes e alterações desnecessárias de sempre, foi genial, foi digno de todos os aplausos de pé que recebeu. Chegou sim perto da perfeição, ao menos mais perto que todos os anteriores. O fato de esse ser o último, convenhamos, agradaria a todos os fãs de qualquer forma. E o fato de a parte final do último livro ser tão movimentada e bem trabalhada ajudaria, isso sempre esteve claro. Mas, ainda assim, superou todas as expectativas.

 A emocionante despedida do elenco das gravações

Ao fim do filme, com aquela trilha sonora tão característica tocando ao fundo, foi inevitável não lembrar dos quase 10 anos em que Harry Potter esteve presente na minha vida. Flashes de momentos de leitura, de lançamentos dos livros, das estreias dos outros filmes, tudo isso passou pela minha cabeça ao mesmo tempo. Desde minha ida à livraria para comprar o primeiro livro, até a última vez que reli Relíquias da Morte. Desde a estreia de Pedra Filosofal até o momento em que estiquei o pescoço para acompanhar da primeira fileira o fim de Harry Potter.


Se tem algo que o Harry me ensinou foi a valorizar sempre as pessoas ao meu redor. Principalmente aquelas que estão sempre com você, aconteça o que acontecer, como sempre estiveram Rony e Hermione. E elas estavam ao meu lado quando o filme acabou. Como estavam comigo enquanto eu comprava ou lia os livros. Como estiveram e estão, de um jeito ou de outro, por perto. Como espero que estejam sempre.

Harry Potter acabou? Os livros acabaram. Os filmes acabaram. Mas a magia não acabou. Tudo o que o Harry aprendeu e nós, fãs, aprendemos junto, seja pelas palavras de J.K. Rowling ou pelo mundo à nossa volta, não vai acabar tão cedo. 


Pois é, nem tudo termina aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Eh bien, um ano...

Parece que foi ontem que eu tive a ideia de fazer um blog. Não tinha ideias pra títulos, apenas uma ideia de post: eu queria falar sobre Harry Potter, queria contar a minha história com a série. Como expliquei depois, motivado por um post no blog da Isa que comparava a saga com Crepúsculo. Achei até que Harry Potter seria um tema recorrente por aqui, mas acabei falando menos do que pensei que falaria. Mas não se preocupem, o calendário vai exigir de mim outro post sobre isso muito em breve.

Então, naquele dia de final de Copa do Mundo, sentei e fiz o texto. Mas antes eu precisava de um título. Algo vago, que não restringisse meus posts. Queria me permitir falar sobre qualquer coisa. Depois de muito pensar, escolhi "Eh bien" porque é uma expressão recorrente de um personagem criado por Agatha Christie, da qual vocês também puderam descobrir que sou fã. Só precisaria explicar o que exatamente eu queria dizer com aquilo, para que não houvesse dúvidas. Até hoje, muita gente me pergunta o motivo desse título. Eu sempre peço pra procurar o primeiro post. Logo depois dessa explicação, postei meu texto sobre Harry Potter. Até hoje, está entre os que mais gosto por aqui.

Um ano depois, aqui sentado no sofá, assistindo a um documentário sobre a final da Copa do Mundo, pensei no que eu poderia fazer pra "comemorar" esse primeiro aniversário do blog. Decidi fazer o seguinte: destacar, entre os 65 posts, os quatro mais comentados e os quatro que mais gosto - desde que não estejam entre os quatro mais comentados, e contar um pouco de cada um deles.

Os mais comentados

4) Dizem que somos piratas. Somos?
 
Foi um assunto que eu sempre quis abordar, tamanha a injustiça que existe com relação a isso. Todo mundo baixa tudo na internet, e a lei insiste em ser acéfala quando não se obtém lucro. Até mesmo com produtos que não existem mais no mercado. E o que existe, vocês sabem, custa muito caro, e abaixar o preço ninguém quer.

3) Harry Potter e a diretora da minha escola

O primeiro texto de verdade, o que motivou o blog. Foi importantíssimo pra aprender a escrever de um jeito diferente, a escrever diretamente pra outras pessoas, além de escrever pra mim mesmo. E escrever sobre uma das coisas que mais gosto seria essencial pra começar.
 
 
2) And from your lips she drew the Hallelujah

Inspirado pelo bróder Victor, comecei a procurar outras versões dessa música, que já gostava bastante. Depois de conhecer várias, resolvi fazer um ranking das versões que mais gostei. O resultado foi bem legal, e as pessoas parecem ter gostado. Ainda bem.

1) A infância nos anos 90
 
Valeu a pena passar uma tarde e uma parte da noite fazendo esse post. A divulgação no Ocioso foi essencial pra ser o mais comentado e pra render visitas ao blog até hoje. Mas é daqueles posts que te dão orgulho depois de prontos.


Os favoritos
 
4) "And the Oscar goes to..."

Uma ideia comum, que muita gente deve ter feito, e que surgiu de repente, quando vi que tinha assistido a todos os filmes entre os indicados ao Oscar. Gostei bastante do resultado.


3) Respeito aos brothers

Uma coisa que nunca gostei foi de gente que gosta de controlar o que você assiste na TV. Os argumentos de quem odeia Big Brother e quer julgar quem assiste são sempre os mesmos, e sempre me irritaram. Quem não gosta tem todo o direito de não gostar, mas não tem moral alguma pra decidir o que os outros devem assistir ou não.

2) Apito final

Foi um dos textos mais automáticos que já fiz, e esses são sempre os melhores. O texto me levou mais do que eu o levei.

1) A emoção do futebol

"Motivado" pela tristeza que abalou os palmeirenses após a eliminação inesperada do Palmeiras diante do Goiás na Copa Sul-Americana, resolvi escrever pra contar a emoção que uma partida de futebol provoca naqueles que amam o esporte, baseando-me na experiência própria da eliminação do Flamengo na Libertadores de 2008.



Por fim, obrigado a todos vocês que visitaram o blog, comentando ou não, que tenham vindo porque viram um post que acharam interessante ou porque são meus amigos ou gostam do que escrevo. Espero que continuem vindo aqui por mais um ano, ou seja lá quanto tempo for.

domingo, 26 de junho de 2011

Passatempo

Há pouco tempo atrás fiz aniversário. Eu me pergunto: o que eu senti? Me senti mais velho. Sabe, aquela pergunta de todo ano, que os outros fazem: "e ae, comé que ce tá se sentindo mais velho?"? Foi isso, dessa vez de mim pra mim mesmo. "Mais velho".


Mas nesse aniversário eu me senti particularmente "mais velho". Cada vez mais eu percebo o quanto é difícil ter de dizer adeus pra certas coisas. E percebo que eu sou mais nostálgico do que eu pensava. Me imagino chegando aos 105 anos no sofá de casa, sentindo saudades da infância, da adolescência, ou mesmo dos meus 99 anos.

Muitos dos meus posts mostram esse meu lado nostálgico. E vão continuar mostrando. Seja pra falar da infância, seja pra falar de poucos meses ou anos atrás. Nessa fase, de um ou dois meses pra cá, em que eu confesso que não sabia o que postar (e continuo sem saber), reli alguns posts, parei para ver meu jeito de escrever e de ser. Concluí que eu sou ao mesmo tempo um velhinho e uma criança unidos no corpo de um jovem de dezenove anos. Não apenas pelos posts, mas pelo que eles me fizeram pensar.

Como uma criança curiosa, eu me pergunto: isso é bom? Como um velho chato, eu vejo duas respostas pra isso: sim e não.

Sim, porque, como um velho - chato ou não - eu me sinto maduro em certas ocasiões que outras pessoas até mais velhas não costumam ser, e, ao mesmo tempo, sou uma criança que não quer crescer, mesmo crescida.

Não, porque, como um velho ou uma criança, eu talvez não seja o que deveria ser: alguém com dezenove anos.

É aquela velha história clichê de ter que aprender a viver o presente. Muitas vezes penso demais no passado, imagino demais o futuro, e o meu presente é vivido à base de lembranças ou planos. Acabo me preocupando com o que aconteceu ou com o que pode ou vai acontecer sem valorizar o momento.
Mas posso dizer que não vou mudar tão cedo, e nem pretendo. Não quero deixar morrer esse velho nostálgico nem essa criança inocente que fazem parte de mim. Porque são isso mesmo: parte de mim. E, sendo parte de mim, que continuem a me acompanhar. E que, assim, a vida continue.

**sobe som de "Deixa a vida me levar" - Zeca Pagodinho** (ou não, né)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Relatos alviazuis, parte III: a batalha perdida

Parte I
Parte II

Domingo, 8 de maio de 2011, 3h20.

Chego ao Joaquinzão. Parece que o jogo vai acontecer ali mesmo, dali a alguns minutos, tamanha é a multidão presente. Em pouco menos de uma hora, cinco ônibus estão completamente tomados e deixam a cidade, rumo a Rio Claro. O horário não impede os torcedores de entoarem as músicas de apoio ao time durante a viagem.

A chegada a Rio Claro é animadora. Os taubateanos não param de cantar, e gritam muito mais alto do que a torcida adversária. A meu ver, a torcida do Velo decepcionou, com muitos espaços vazios na arquibancada para um estádio tão pequeno como o Benito Agnello Castelano, o Benitão, e num dia tão importante para o clube.

O Taubaté entra em campo para o aquecimento já nos braços de sua torcida, que continua cantando a plenos pulmões. A minoria unida no canto da arquibancada destaca-se e ofusca a maioria vermelha com sua animação incessante.

Velo Clube 4x1 Taubaté - Presença em peso dos taubateanos, mas decepção em campo
O jogo começa, o Velo pressiona desde o início, não sai de cima. Num raro lance de ataque alviazul, Gilsinho domina a bola no peito, invade a área e cai propositalmente. E aí entra em cena um homem chamado Robinson José Andréa de Góes, o árbitro da partida. Robinson provavelmente queria cumprir seu trabalho e ir embora pra casa tranquilamente curtir seu Dia das Mães com sua genitora. E, ao marcar um pênalti inexistente para o time visitante, num jogo decisivo, ele se complicou. E percebeu isso.

Gilsinho cobra o pênalti com maestria, e a torcida vai à loucura, sentindo a proximidade do acesso. Mas começa a vê-lo escapar por entre os dedos quando Robinson, o sujeito de amarelo, começa a compensar seu erro para não se complicar com a torcida local. Marcou todas as faltas que poderia e não poderia a favor do Velo. Em uma delas, o rubro-verde empatou. O Taubaté se viu pressionado e quase não atacou depois disso.

A torcida, mesmo tensa, continuou cantando no segundo tempo. Mas viu-se agredida quando, num escanteio, o zagueiro alviazul encostou num adversário, e o árbitro jogou todo seu profissionalismo no lixo, marcando pênalti. Não apenas marcou, como expulsou o jogador taubateano, de forma vergonhosamente efusiva. A cobrança da penalidade marcou o início de um passeio do Velo, e a decepção ganhou o rosto dos torcedores que viajaram até ali para assistir a tal grosseria.


Desafio: encontre o pênalti

O jogo termina, com 4x1 para os adversários. Os irmãos Gisiel e Gilsinho, sem dúvida os maiores ídolos da história recente do Taubaté, aproximam-se do alambrado, chorando, e jogam suas camisas para a torcida. A cena que se iniciou naquele momento foi, sem sombra de dúvidas, a mais triste que já presenciei num estádio. Não sei por que não chorei, mas poderia ter chorado. Como fizeram dezenas de torcedores ao meu lado. Para onde eu olhava, via torcedores conhecidos, de jovens a idosos, com lágrimas nos olhos.

Não foi apenas o árbitro que decidiu a partida, o time também não havia correspondido. Mas naquele momento, nada disso importava mais. A tristeza invadiu o peito dos taubateanos que viajaram horas para estar ali, que sacrificaram uma data como o Dia das Mães para sofrer tal decepção. Não que tivessem se arrependido, até porque isso seria praticamente impossível.

Mesmo diante de tanta tristeza, todas as frases de efeito proferidas incansavelmente pela torcida do Taubaté vieram à minha cabeça, fazendo todo o sentido do mundo. Aquelas lágrimas derramadas na arquibancada do Benitão provaram que o torcedor taubateano tem amor ao Taubaté. Provaram que o Burro nunca caminhará sozinho. E que é capaz de passar por todas as barreiras. A torcida do Taubaté não acredita, ela tem certeza. Do acesso? Não. De que ela estará sempre ao lado do time, seja qual for o resultado. De que ela simplesmente tem orgulho de ser Taubaté.

PS: As fotos dos três posts, além das identificadas por marcas d'água, foram retiradas do orkut. Se você é o autor de uma das fotos e quiser os créditos, entre em contato, mas não me processe, por favor.

Relatos alviazuis, parte II: a fase final


Uma semana depois, lá estava a torcida de novo lotando o Joaquinzão, pronta para a fase decisiva do campeonato. Só dois times do grupo subiriam, e o nosso grupo era complicadíssimo. O primeiro jogo, contra o Velo Clube, deixou isso bem claro: eles perderam um pênalti e ainda saíram na frente, com o Taubaté jogando muito mal. O segundo tempo foi bem diferente. O time reagiu, e virou o jogo com um gol de falta nos acréscimos.

O jogo mais complicado, na teoria, era contra o Penapolense, fora de casa. E a teoria estava certa: fomos dominados, e perdemos por 2x0. Não pude ir, pois a caravana sairia num horário complicado pra mim, e o jogo foi antes do feriado em que já tinha combinado outra viagem. Mesmo assim, no domingo de Páscoa, meu feriado já tinha acabado, e fui ao Joaquinzão assistir a uma ótima exibição da equipe do Taubaté, que emplacou 4x1 no XV de Jaú.

Taubaté 4x1 XV de Jaú - Apoio da torcida no domingo de Páscoa
Para o jogo de volta, em Jaú, tivemos uma viagem cansativa, mas vencemos por 2x0. Na volta, nosso ônibus quebrou, ficamos horas parados na estrada, mas nem por isso a torcida desanimou. O Burro da Central - apelido carinhoso do time - estava próximo do acesso, nosso principal sonho. Bastava uma vitória no jogo seguinte, contra o Penapolense, no Joaquinzão, e um tropeço do Velo em Jaú.

Taubaté 2x2 Penapolense - empate heroico que comprometeu o acesso
Eis que, numa quarta-feira à tarde, o Joaquinzão recebeu o melhor público do ano. Os taubateanos se esforçaram e conseguiram comparecer à partida decisiva do time. Saí de São Paulo de manhã para acompanhar a partida. E vi um Taubaté nervoso sair atrás no placar, com uma arbitragem duvidosa que não percebeu impedimento no primeiro gol do Penapolense e não viu a bola entrar numa falta cobrada por Marquinhos, do Taubaté. Mesmo assim, e mesmo com mais um gol do Penapolense, os taubateanos reagiram, empurrados pela torcida. Cometendo o pecado da ansiedade, perderam muitos gols, mas conseguiram o empate. No jogo da noite, o Velo ficou no empate contra o XV de Jaú, e a sensação de que dava para ter comemorado o acesso naquele momento ficará marcada. Porém, naquele instante, tal resultado inflamou a torcida taubateana, assim como a própria diretoria do clube, que disponibilizou cinco ônibus para compor a maior caravana alviazul do ano.

Depois de muitas conclusões precipitadas que confirmavam a classificação do Taubaté em caso de derrota simples, estudamos melhor a tabela e concluímos que o time precisava de um empate. Qualquer derrota eliminaria o time nos critérios de desempate. Enfim, eu já tinha decidido que não iria ao jogo decisivo contra o Velo  Clube, em Rio Claro. Não por não querer ir, mas por ser Dia das Mães, em respeito à minha mãe. Para minha surpresa, ela mesma me incentivou a viajar. E, diante disso, confirmei minha presença na caravana.

Continua...

Parte III

Relatos alviazuis, parte I: a primeira fase

Inicialmente, escreveria tudo em apenas um post, mas o texto ficou grande demais, e precisei dividir em três partes.

No último domingo, o Esporte Clube Taubaté foi derrotado pelo Velo Clube, jogando fora de casa, pela série A-3, e perdeu a chance de disputar a série A-2. Esse foi o fim de uma saga de quase quatro meses, de viagens, de idas e vindas e de provas de amor do torcedor taubateano.

A história que eu vou contar nada mais é do que a minha história com o Taubaté nesses meses. Apenas um caso de amor de um torcedor por um clube. Poderia ser a sua história, poderia ser a história de qualquer um que faz parte dessa torcida, que descobri ser a mais apaixonada que já conheci.

Era um sábado, meados de janeiro, e eu estava numa pousada em Maceió. Mesmo assim, estava preocupado com uma partida que aconteceria muito longe dali, em Itapira, no interior de São Paulo. Encontrei na internet, com um fraco sinal 3G, uma rádio que transmitiria a partida entre Itapirense e Taubaté, pela primeira rodada da série A-3. Aos trancos e barrancos, tanto no jogo quanto na conexão, o primeiro tempo terminou: 0x0, e fui obrigado a deixar o hotel e o notebook de lado. Continuei, insistente, com o celular na mão, acompanhando o tempo real no Twitter. Comemorei silenciosamente o gol  da vitória, marcado pelo ídolo taubateano Gilsinho, nos minutos finais.

Taubaté 1x0 Paulínia - a torcida compareceu, mesmo com estádio interditado
Na semana seguinte, ainda longe de Taubaté, não pude acompanhar a épica partida entre Taubaté e Paulínia, no Joaquinzão. Gilsinho fez de novo, outra vez nos minutos finais, e garantiu mais uma vitória por 1x0. Mas o que me faz escolher esta dentre as partidas que perdi e que gostaria de estar presente é a prova de amor que a torcida taubateana deu ao clube. Com o estádio interditado, ela subiu até a linha do trem, e, atrapalhada pelas árvores do Joaquinzão, assistiu ao jogo em condições precárias.

Na sexta rodada, com o Taubaté jogando bem e com a sorte ao seu lado, a torcida se mobilizou e foi à rua Javari assistir ao jogo contra o Juventus, num sábado à tarde. Pela primeira vez no ano, tive a oportunidade de comparecer a um jogo do time, e pela primeira vez na vida fui a um jogo do Taubaté fora de casa. Não vi gols, mas vi um bom jogo.

Juventus 0x0 Taubaté - A torcida comparece em peso à Rua Javari
Duas rodadas depois, fui pela primeira vez ao Joaquinzão em 2011. Depois de mais uma vitória, o jogo era contra o Taboão da Serra, que brigava contra o rebaixamento. A partida foi difícil, e terminou empatada em 1x1. Mas saí feliz do estádio, por ter levado comigo uma companheira, que esteve comigo nessa jornada, a partir daquele jogo: minha mãe. Nunca tinha visto um jogo do Taubaté ao lado dela, e agora espero que ela continue me acompanhando.

O primeiro turno terminou com o Taubaté na ponta da tabela, e o segundo começou prometendo fortes emoções. No sábado de Carnaval, com uma chuva ininterrupta e uma arbitragem horrorosa no Joaquinzão, o Taubaté cedeu o empate à Itapirense nos acréscimos: 1x1. Depois deste jogo, faltei à caravana contra o Paulínia - e me arrependi depois, já que vencemos por 2x1. E faltei também a uma aula para ir a Taubaté numa quarta-feira à tarde: mais chuva e derrota para o Velo Clube por 1x0, numa falha do goleiro e ídolo Gisiel.

Eis que, no fim de semana seguinte, numa loucura de idas e vindas, fui para Osasco, peguei metrô, trem e ônibus, e cheguei ao... CT do Grêmio Osasco. Quase na hora do jogo. Não ouvi sons de torcida, mas bati no portão. O porteiro me atendeu e estava me explicando como fazer para chegar ao estádio (do outro lado da cidade), quando dois carros entraram. Em um deles, um jogador de categorias de base do time; no outro, um jogador profissional que estava no departamento médico, e que me ofereceu carona. Não contei que era torcedor do Taubaté, com medo de ser deixado no meio do caminho, e terminei entrando no estádio de graça e ficando na torcida do Taubaté. Infelizmente, perdemos o jogo e a liderança, nos minutos finais.

Daí em diante, um período assustador. Empate com o lanterna Barueri, em casa. Derrota para o Juventus, em casa - mais uma vez no fim do jogo. E derrota para o Flamengo, numa quarta-feira à tarde, em Guarulhos. Nesse jogo, mais uma vez fui por conta própria (e acertei o caminho). Poucos torcedores taubateanos conseguiram comparecer, e mesmo assim não foram recompensados.

Com a classificação a perigo, a torcida viajou novamente, no domingo seguinte, desta vez para Taboão da Serra. E de lá trouxemos um empate, que nos deu a oportunidade de decidir em casa, contra a Inter de Limeira. Se não vencêssemos, estaríamos fora. O Joaquinzão, lotado pela primeira vez no ano, veio abaixo quando o grandalhão Creedence marcou o gol da vitória suada sobre os limeirenses. Enfim, com muitas dificuldades, como sempre, alcançamos nosso primeiro objetivo.

Continua...

Parte II
Parte III

domingo, 17 de abril de 2011

Jogo dos sete erros

Retirado do site da Faculdade Cásper Líbero: "A quadra no sexto andar é onde os alunos promovem jogos e treinam para ligas e campeonatos". Promovem? Treinam? (Foto: Beatriz Ricci)

Desde o meio de 2010, a Fundação Cásper Líbero, representada pela TV Gazeta, em parceria com a direção da Faculdade Cásper Líbero, está prestando um desserviço histórico: com a mudança para o sistema digital, a TV precisava desesperadamente de um lugar para colocar suas bugigangas. E despejou tudo na quadra do 6º andar, onde era mais fácil para ela, sem se importar com ninguém que a utilizava. Segundo erro.

Mas por que segundo erro? Porque lá atrás, em 2001, houve uma situação que a Atlética da Cásper sequer menciona, perdendo uma chance de pressionar a diretoria da Faculdade e a TV. Na época do racionamento de energia imposto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a Fundação proibiu a utilização da quadra. Será mesmo que era necessário proibir, interditar? Primeiro erro. Com certeza existiam outras alternativas, mas o mais fácil para eles foi interditar a quadra. Assim como foi no ano passado e é, até hoje.

Depois das férias de julho de 2010, nós, alunos da Faculdade, fomos surpreendidos pela notícia da interdição da quadra. Foi dado um prazo para a devolução: final de setembro, ou começo de outubro. É óbvio, o tempo passou e não aconteceu nada. Estava tudo exatamente do mesmo jeito. Terceiro erro.

As férias passaram, TRÊS MESES se passaram, e nada aconteceu. Os equipamentos continuaram lá, ocupando a quadra, da mesma forma. Por todo esse tempo sem qualquer evolução: Quarto erro. E não adianta dizer que não havia o que fazer. A Faculdade tem milhares de salas gigantes vazias, obscuras, inúteis, assim como o restante do prédio da Fundação também deve ter.

No começo de 2011, os alunos pressionaram a diretoria, que enviou um documento assinado pela diretora da Faculdade à Atlética, em que ela afirmava que, em conversa com o superintendente da TV Gazeta, a quadra seria reaberta até a primeira quinzena de março. Preciso dizer que nada aconteceu? Quinto erro. Até porque depois que o prazo já tinha sido atingido, fui até a quadra, que estava aberta, e tinha um funcionário no local, que disse não saber de prazo algum, e que jamais seria possível retirar tudo no período estipulado. Ou seja, se tinha algum infeliz preocupado com prazo, com certeza não era da diretoria ou da TV, e sim os alunos.

Quando o prazo se esgotou, o atuante "Centro Acadêmico" surgiu no Facebook para convidar os alunos para uma manifestação, na qual eles levariam bolas - de qualquer esporte - para jogarem nos corredores. Sensibilizaria alguém? Não sei, talvez. Eu sugeri, após tanta passividade das autoridades """"competentes"""", que tirássemos alguns equipamentos da quadra e colocássemos no corredor. Claro, fui recebido com pedras, já que a manifestação seria organizada (afinal, só iriam jogar bola nos corredores).

Eis que, no dia seguinte, os alunos ficaram sabendo que havia uma nova organização discente surgindo, o "Cadê Cásper", que, em conjunto com a Atlética e o CA, suspenderam a manifestação por falta de comunicação. Também ficamos sabendo que havia uma negociação da diretoria para pagar o aluguel de quadras da região da Avenida Paulista, e apenas para o uso de atletas. Sexto erro. Primeiro: ninguém quer que a Fundação pague nada, apenas que busquem conhecimento conversem seriamente com a TV Gazeta e entrem em acordo para a devolução da quadra. Segundo: para o uso de atletas? É a Fundação dizendo claramente que não está nem aí para o que os demais alunos querem?

Querem soluções? Elas existem. Se a Fundação Cásper Líbero, a TV Gazeta e a Faculdade preferirem ignorá-las, visando apenas seus próprios interesses, será a confirmação do sétimo erro. Nada bom para o histórico de quem adora se autopromover constantemente e desafia quem a sustenta.