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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O sobrado amarelo

Um dia desses, precisei preencher uma ficha, e tinha lá o campo "endereço". Fiquei na dúvida. Porque por mais de 15 dos meus 20, quase 21 anos, morei na mesma casa em Taubaté, e agora, enfim, vou me mudar. É verdade que nos últimos quatro anos estive em São Paulo, e tive dois endereços por lá até esse mês de fevereiro, e provavelmente tenha que procurar um terceiro em breve, mas nunca deixei de morar aqui. Na minha casa, no meu sobrado amarelo.

Eu, meu irmão e o finado Sheik em uma das nossas primeiras visitas à então nova casa
 
Sem hipocrisia de não poder me apegar a coisas materiais, sem essa de "classe média sofre" e o escambau. Eu sei que muita gente gostaria de morar onde vou morar, sei que pode ser futilidade pra meio mundo. Mas pra mim não é. Porque uma parte da minha vida aconteceu aqui. E, considerando que foram mais de 15 anos em quase 21, é uma parte bem significativa, e quero poder lamentar em paz o fato de que esse lugar não é mais meu.

Como eu disse, eu sei que muita gente gostaria de morar no apartamento em que eu vou ficar de agora em diante. Eu mesmo não tenho nenhum problema com ele (apesar de sentir muito a diferença de tamanho). Mas é impossível pra mim simplesmente virar as costas e sair andando atrás do caminhão de mudanças.

O ponto aqui é que cada canto dessa casa vai me deixar muitas lembranças diferentes e especiais. De pessoas que passaram por aqui, ou frequentavam, ou moravam. E, principalmente, de mim mesmo e do meu crescimento. Lembro como se fosse hoje de brincar pela casa toda, de assistir desenhos na sala com o meu irmão até meus pais chegarem do trabalho. De ficar até mais tarde no computador do escritório ou de dormir cedo pra aula do dia seguinte. De ficar no meu quarto, que fica na parte de cima, e ouvir as risadas e conversas dos meus pais com os amigos na cozinha, sempre às quartas-feiras à noite.

No fim, durante todo esse tempo, todos os cômodos passaram por mudanças. Uns mais, outros menos, mas não são os mesmos de 15 ou 16 anos atrás. O sobrado enfim ficou amarelo. Paredes foram pintadas ou sumiram, camas mudaram de lugar, pisos foram trocados. Mas pra mim essa casa ainda é exatamente a mesma casa que vim conhecer, ainda sem pintura nenhuma, com a minha família e meu cachorro (que infelizmente morreu há alguns anos).

Sempre soube o quanto sentiria falta daqui. Quando meus pais falavam em mudança, até hoje não sei se a sério ou na brincadeira, eu não aceitava de forma alguma e chorava sangue se fosse preciso. Em 2009, quando fui estudar em São Paulo, voltava pra casa aos fins de semana, e durante os outros dias percebia o quanto sentia saudades.

A nostalgia é algo recorrente pra mim, acho que já deixei isso bem claro em várias ocasiões. E em uma mudança tão grande como essa, ela é inevitável. Fotos, objetos, tudo traz de volta as lembranças nesse momento. Mas nada disso quer dizer que estou preso a essa casa ou preso ao passado. Eu vou dar o próximo passo, vou seguir adiante, mas não quero que nada do que aconteceu nessa casa seja esquecido. Mudar não implica deixar pra trás o que marcou a nossa vida. E como a vida é feita de mudanças subsequentes, temos que aprender a caminhar, sim, sabendo o caminho que estamos seguindo, mas sem esquecer de onde viemos. Portanto, eu sei que é hora de olhar pra frente e entender que é assim que o mundo funciona, mas quero me permitir lembrar com carinho de tudo que vivi nesse lugar. 

Coincidentemente, há cerca de duas semanas, comecei a ler "As vantagens de ser invisível", de Stephen Chbotsky, aqui no sofá de casa, onde estou sentado nesse momento. E terminei quatro dias depois, sentado numa cadeira na varanda do apartamento em que vou morar a partir de agora. O personagem principal, Charlie, que conta sua história por meio de cartas a um destinatário não revelado, diz em determinado momento que "as coisas mudam (...) e a vida não para para ninguém." E ele não poderia estar mais correto. A vida é composta por fases, e uma delas acaba de chegar ao fim pra mim. Porque o tempo passou, e agora é hora de mudar. E de dar adeus ao meu sobrado amarelo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dia 21 – Em 2011 eu tentei...


 ...acompanhar o Taubaté sempre que possível durante a série A-3 do Paulista. Tentei estar presente na maioria deles, inclusive nos jogos fora de casa, mesmo morando longe. Não consegui ir a todos eles, mas fui a uma boa parte, como nunca tinha ido antes. Eu sequer tinha visto o Taubaté jogar fora do Joaquinzão antes de 2011.

Enfim, foram 24 jogos de disputa, sendo 18 da primeira fase e 6 da segunda. Nos primeiros 18, compareci a 9 e, com todo o meu pé-frio, vi apenas uma vitória, na última rodada, que deu ao time a classificação para a fase seguinte. Dessa vez, vi 5 dos 6 jogos, perdendo apenas o jogo de Penápolis, que terminou com a derrota do Taubaté por 2x0 para o Penapolense. Assisti às três vitórias, ao único empate e à tragédia de Rio Claro.

Em 2012, pretendo tentar de novo. E o Taubaté também vai tentar subir.

PS: mais detalhes sobre toda essa história aqui.

Os participantes do "Meme das Antigas" estão no blog do criador, Max Reinert, o Pequeno Inventário de Impropriedades.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Relatos alviazuis, parte III: a batalha perdida

Parte I
Parte II

Domingo, 8 de maio de 2011, 3h20.

Chego ao Joaquinzão. Parece que o jogo vai acontecer ali mesmo, dali a alguns minutos, tamanha é a multidão presente. Em pouco menos de uma hora, cinco ônibus estão completamente tomados e deixam a cidade, rumo a Rio Claro. O horário não impede os torcedores de entoarem as músicas de apoio ao time durante a viagem.

A chegada a Rio Claro é animadora. Os taubateanos não param de cantar, e gritam muito mais alto do que a torcida adversária. A meu ver, a torcida do Velo decepcionou, com muitos espaços vazios na arquibancada para um estádio tão pequeno como o Benito Agnello Castelano, o Benitão, e num dia tão importante para o clube.

O Taubaté entra em campo para o aquecimento já nos braços de sua torcida, que continua cantando a plenos pulmões. A minoria unida no canto da arquibancada destaca-se e ofusca a maioria vermelha com sua animação incessante.

Velo Clube 4x1 Taubaté - Presença em peso dos taubateanos, mas decepção em campo
O jogo começa, o Velo pressiona desde o início, não sai de cima. Num raro lance de ataque alviazul, Gilsinho domina a bola no peito, invade a área e cai propositalmente. E aí entra em cena um homem chamado Robinson José Andréa de Góes, o árbitro da partida. Robinson provavelmente queria cumprir seu trabalho e ir embora pra casa tranquilamente curtir seu Dia das Mães com sua genitora. E, ao marcar um pênalti inexistente para o time visitante, num jogo decisivo, ele se complicou. E percebeu isso.

Gilsinho cobra o pênalti com maestria, e a torcida vai à loucura, sentindo a proximidade do acesso. Mas começa a vê-lo escapar por entre os dedos quando Robinson, o sujeito de amarelo, começa a compensar seu erro para não se complicar com a torcida local. Marcou todas as faltas que poderia e não poderia a favor do Velo. Em uma delas, o rubro-verde empatou. O Taubaté se viu pressionado e quase não atacou depois disso.

A torcida, mesmo tensa, continuou cantando no segundo tempo. Mas viu-se agredida quando, num escanteio, o zagueiro alviazul encostou num adversário, e o árbitro jogou todo seu profissionalismo no lixo, marcando pênalti. Não apenas marcou, como expulsou o jogador taubateano, de forma vergonhosamente efusiva. A cobrança da penalidade marcou o início de um passeio do Velo, e a decepção ganhou o rosto dos torcedores que viajaram até ali para assistir a tal grosseria.


Desafio: encontre o pênalti

O jogo termina, com 4x1 para os adversários. Os irmãos Gisiel e Gilsinho, sem dúvida os maiores ídolos da história recente do Taubaté, aproximam-se do alambrado, chorando, e jogam suas camisas para a torcida. A cena que se iniciou naquele momento foi, sem sombra de dúvidas, a mais triste que já presenciei num estádio. Não sei por que não chorei, mas poderia ter chorado. Como fizeram dezenas de torcedores ao meu lado. Para onde eu olhava, via torcedores conhecidos, de jovens a idosos, com lágrimas nos olhos.

Não foi apenas o árbitro que decidiu a partida, o time também não havia correspondido. Mas naquele momento, nada disso importava mais. A tristeza invadiu o peito dos taubateanos que viajaram horas para estar ali, que sacrificaram uma data como o Dia das Mães para sofrer tal decepção. Não que tivessem se arrependido, até porque isso seria praticamente impossível.

Mesmo diante de tanta tristeza, todas as frases de efeito proferidas incansavelmente pela torcida do Taubaté vieram à minha cabeça, fazendo todo o sentido do mundo. Aquelas lágrimas derramadas na arquibancada do Benitão provaram que o torcedor taubateano tem amor ao Taubaté. Provaram que o Burro nunca caminhará sozinho. E que é capaz de passar por todas as barreiras. A torcida do Taubaté não acredita, ela tem certeza. Do acesso? Não. De que ela estará sempre ao lado do time, seja qual for o resultado. De que ela simplesmente tem orgulho de ser Taubaté.

PS: As fotos dos três posts, além das identificadas por marcas d'água, foram retiradas do orkut. Se você é o autor de uma das fotos e quiser os créditos, entre em contato, mas não me processe, por favor.

Relatos alviazuis, parte II: a fase final


Uma semana depois, lá estava a torcida de novo lotando o Joaquinzão, pronta para a fase decisiva do campeonato. Só dois times do grupo subiriam, e o nosso grupo era complicadíssimo. O primeiro jogo, contra o Velo Clube, deixou isso bem claro: eles perderam um pênalti e ainda saíram na frente, com o Taubaté jogando muito mal. O segundo tempo foi bem diferente. O time reagiu, e virou o jogo com um gol de falta nos acréscimos.

O jogo mais complicado, na teoria, era contra o Penapolense, fora de casa. E a teoria estava certa: fomos dominados, e perdemos por 2x0. Não pude ir, pois a caravana sairia num horário complicado pra mim, e o jogo foi antes do feriado em que já tinha combinado outra viagem. Mesmo assim, no domingo de Páscoa, meu feriado já tinha acabado, e fui ao Joaquinzão assistir a uma ótima exibição da equipe do Taubaté, que emplacou 4x1 no XV de Jaú.

Taubaté 4x1 XV de Jaú - Apoio da torcida no domingo de Páscoa
Para o jogo de volta, em Jaú, tivemos uma viagem cansativa, mas vencemos por 2x0. Na volta, nosso ônibus quebrou, ficamos horas parados na estrada, mas nem por isso a torcida desanimou. O Burro da Central - apelido carinhoso do time - estava próximo do acesso, nosso principal sonho. Bastava uma vitória no jogo seguinte, contra o Penapolense, no Joaquinzão, e um tropeço do Velo em Jaú.

Taubaté 2x2 Penapolense - empate heroico que comprometeu o acesso
Eis que, numa quarta-feira à tarde, o Joaquinzão recebeu o melhor público do ano. Os taubateanos se esforçaram e conseguiram comparecer à partida decisiva do time. Saí de São Paulo de manhã para acompanhar a partida. E vi um Taubaté nervoso sair atrás no placar, com uma arbitragem duvidosa que não percebeu impedimento no primeiro gol do Penapolense e não viu a bola entrar numa falta cobrada por Marquinhos, do Taubaté. Mesmo assim, e mesmo com mais um gol do Penapolense, os taubateanos reagiram, empurrados pela torcida. Cometendo o pecado da ansiedade, perderam muitos gols, mas conseguiram o empate. No jogo da noite, o Velo ficou no empate contra o XV de Jaú, e a sensação de que dava para ter comemorado o acesso naquele momento ficará marcada. Porém, naquele instante, tal resultado inflamou a torcida taubateana, assim como a própria diretoria do clube, que disponibilizou cinco ônibus para compor a maior caravana alviazul do ano.

Depois de muitas conclusões precipitadas que confirmavam a classificação do Taubaté em caso de derrota simples, estudamos melhor a tabela e concluímos que o time precisava de um empate. Qualquer derrota eliminaria o time nos critérios de desempate. Enfim, eu já tinha decidido que não iria ao jogo decisivo contra o Velo  Clube, em Rio Claro. Não por não querer ir, mas por ser Dia das Mães, em respeito à minha mãe. Para minha surpresa, ela mesma me incentivou a viajar. E, diante disso, confirmei minha presença na caravana.

Continua...

Parte III

Relatos alviazuis, parte I: a primeira fase

Inicialmente, escreveria tudo em apenas um post, mas o texto ficou grande demais, e precisei dividir em três partes.

No último domingo, o Esporte Clube Taubaté foi derrotado pelo Velo Clube, jogando fora de casa, pela série A-3, e perdeu a chance de disputar a série A-2. Esse foi o fim de uma saga de quase quatro meses, de viagens, de idas e vindas e de provas de amor do torcedor taubateano.

A história que eu vou contar nada mais é do que a minha história com o Taubaté nesses meses. Apenas um caso de amor de um torcedor por um clube. Poderia ser a sua história, poderia ser a história de qualquer um que faz parte dessa torcida, que descobri ser a mais apaixonada que já conheci.

Era um sábado, meados de janeiro, e eu estava numa pousada em Maceió. Mesmo assim, estava preocupado com uma partida que aconteceria muito longe dali, em Itapira, no interior de São Paulo. Encontrei na internet, com um fraco sinal 3G, uma rádio que transmitiria a partida entre Itapirense e Taubaté, pela primeira rodada da série A-3. Aos trancos e barrancos, tanto no jogo quanto na conexão, o primeiro tempo terminou: 0x0, e fui obrigado a deixar o hotel e o notebook de lado. Continuei, insistente, com o celular na mão, acompanhando o tempo real no Twitter. Comemorei silenciosamente o gol  da vitória, marcado pelo ídolo taubateano Gilsinho, nos minutos finais.

Taubaté 1x0 Paulínia - a torcida compareceu, mesmo com estádio interditado
Na semana seguinte, ainda longe de Taubaté, não pude acompanhar a épica partida entre Taubaté e Paulínia, no Joaquinzão. Gilsinho fez de novo, outra vez nos minutos finais, e garantiu mais uma vitória por 1x0. Mas o que me faz escolher esta dentre as partidas que perdi e que gostaria de estar presente é a prova de amor que a torcida taubateana deu ao clube. Com o estádio interditado, ela subiu até a linha do trem, e, atrapalhada pelas árvores do Joaquinzão, assistiu ao jogo em condições precárias.

Na sexta rodada, com o Taubaté jogando bem e com a sorte ao seu lado, a torcida se mobilizou e foi à rua Javari assistir ao jogo contra o Juventus, num sábado à tarde. Pela primeira vez no ano, tive a oportunidade de comparecer a um jogo do time, e pela primeira vez na vida fui a um jogo do Taubaté fora de casa. Não vi gols, mas vi um bom jogo.

Juventus 0x0 Taubaté - A torcida comparece em peso à Rua Javari
Duas rodadas depois, fui pela primeira vez ao Joaquinzão em 2011. Depois de mais uma vitória, o jogo era contra o Taboão da Serra, que brigava contra o rebaixamento. A partida foi difícil, e terminou empatada em 1x1. Mas saí feliz do estádio, por ter levado comigo uma companheira, que esteve comigo nessa jornada, a partir daquele jogo: minha mãe. Nunca tinha visto um jogo do Taubaté ao lado dela, e agora espero que ela continue me acompanhando.

O primeiro turno terminou com o Taubaté na ponta da tabela, e o segundo começou prometendo fortes emoções. No sábado de Carnaval, com uma chuva ininterrupta e uma arbitragem horrorosa no Joaquinzão, o Taubaté cedeu o empate à Itapirense nos acréscimos: 1x1. Depois deste jogo, faltei à caravana contra o Paulínia - e me arrependi depois, já que vencemos por 2x1. E faltei também a uma aula para ir a Taubaté numa quarta-feira à tarde: mais chuva e derrota para o Velo Clube por 1x0, numa falha do goleiro e ídolo Gisiel.

Eis que, no fim de semana seguinte, numa loucura de idas e vindas, fui para Osasco, peguei metrô, trem e ônibus, e cheguei ao... CT do Grêmio Osasco. Quase na hora do jogo. Não ouvi sons de torcida, mas bati no portão. O porteiro me atendeu e estava me explicando como fazer para chegar ao estádio (do outro lado da cidade), quando dois carros entraram. Em um deles, um jogador de categorias de base do time; no outro, um jogador profissional que estava no departamento médico, e que me ofereceu carona. Não contei que era torcedor do Taubaté, com medo de ser deixado no meio do caminho, e terminei entrando no estádio de graça e ficando na torcida do Taubaté. Infelizmente, perdemos o jogo e a liderança, nos minutos finais.

Daí em diante, um período assustador. Empate com o lanterna Barueri, em casa. Derrota para o Juventus, em casa - mais uma vez no fim do jogo. E derrota para o Flamengo, numa quarta-feira à tarde, em Guarulhos. Nesse jogo, mais uma vez fui por conta própria (e acertei o caminho). Poucos torcedores taubateanos conseguiram comparecer, e mesmo assim não foram recompensados.

Com a classificação a perigo, a torcida viajou novamente, no domingo seguinte, desta vez para Taboão da Serra. E de lá trouxemos um empate, que nos deu a oportunidade de decidir em casa, contra a Inter de Limeira. Se não vencêssemos, estaríamos fora. O Joaquinzão, lotado pela primeira vez no ano, veio abaixo quando o grandalhão Creedence marcou o gol da vitória suada sobre os limeirenses. Enfim, com muitas dificuldades, como sempre, alcançamos nosso primeiro objetivo.

Continua...

Parte II
Parte III

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dia 15 – Em 2010 eu pensei em fugir para...

...lugar nenhum. Ou, para não ficar sem resposta, pra casa.
Se vir pra Taubaté é fugir, eu cheguei à extrema rebeldia de vir pra cá quando tive a chance de não ficar em São Paulo, e as faltas na faculdade não me prejudicariam.

Mas, sério, não pensei em fugir. Apesar de tudo o que aconteceu em 2010, ficar quieto em casa me fez, como sempre, me sentir melhor.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dia 13 - Meu melhor dia de 2010

Eu poderia simplesmente não me esforçar e dizer que o melhor dia de 2010 foi 8 de junho, porque é meu aniversário. Aliás, é o que eu vou fazer, porque não foi apenas o dia do meu aniversário. Foi um dia em que a minha família, as pessoas que mais importam na minha vida, estiveram do meu lado. E, infelizmente, isso foi raro nesse ano.

Outro dia muito bom foi o dia 23 de novembro. Não tem sensação melhor do que o sentimento de "É TETRA" ao entregar o último trabalho da faculdade e ir embora pra casa. Simples assim.

E, assim como nos últimos anos, a sexta-feira. O dia da semana mesmo, porque, de um modo geral, a maioria das sextas-feiras são sempre muito boas, porque eu estou sempre à vontade, jogo futebol, e a 2ª feira ainda está distante. E não saberia escolher apenas uma.

Os dias em que me reuni com os amigos no Shopping Paulista - e comemos pizza, ou assistimos Harry Potter -, aqueles em que recebi os amigos em casa, todos estiveram entre os melhores.

Só mais um dia, e esse é o último (o último que vou citar, porque espero que ainda tenha algum dia muito bom entre os que restam para o ano terminar): o dia deste post, 13 de dezembro. Vou colocar o horário do post como 23h59 do dia 13, mas, na verdade, eu não consegui postar a tempo. Estou postando por volta das 2h do dia 14. Porque, apesar de ter acordado cedo - e atrasado - pra fazer uma prova, ter tomado chuva, e esperado uma hora pela minha prima e pela amiga dela no shopping, o dia foi ótimo. Porque, mesmo atrasado, cheguei a tempo de poder começar a prova, e acredito que tenha ido bem. Mesmo com a chuva, e com o atraso das duas, nós ficamos horas sentados numa mesa do McDonald's falando porcarias e cantando Sandy & Junior. E depois ainda fui a uma singela despedida do meu amigo Victor, que vai viajar daqui a alguns dias para o Canadá, me empanturrei de batata frita e Coca-Cola.

Nenhum dia extraordinário, mas parece que, nesse ano, as pequenas coisas, como as que eu falei, tiveram um valor maior pra mim. E, por isso, não pude escolher apenas um dia. E estou postando no dia errado. Mas quem se importa, quando o tempo que eu "perdi" foi gasto vivendo?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dia 12 – Meu pior dia de 2010

2010 foi o ano mais difícil da minha vida. Primeiro porque ele já começou ruim.  Posso considerar o combo do último Réveillon (de 31/12/2009 até 02/01/2010) como o pior "dia" do ano... pra mim foi uma coisa (ruim) só, um empate técnico que começou nos momentos finais do ano passado.

Nem vou prolongar o assunto, porque é chato pra mim, é chato pra quem lê, e é chato pra quem esteve envolvido. Aliás, eu só vou mencionar o que aconteceu porque é algo que é comum hoje em dia, infelizmente. Pode acontecer com qualquer um que ainda tenha os pais por perto, se já não aconteceu: os meus pais se separaram, na noite do Ano Novo.

Bom, depois disso, pelo menos eu continuava de férias. Ia jogar bola, que, como todo mundo já sabe, é o que eu mais gosto de fazer. Enquanto eu jogava, nem me lembrava dos outros problemas. E logo veio o dia 11 de janeiro, o segundo pior dia do ano. Num lance em que a bola já estava quase nas mãos do goleiro adversário, eu me desequilibrei, e torci o tornozelo. Na hora eu nem me incomodei, mas, à medida que ele inchava, eu me preocupava mais, e via uma das minhas poucas fontes de felicidade nas férias indo por água abaixo. Depois de constatada uma lesão, só voltei a jogar no fim de fevereiro, na malandragem, com dores e sem autorização médica, ainda fazendo sessões de fisioterapia.  No meio de março, quando me consultei com outra médica, em São Paulo, eu descobri que não poderia ter começado nem a fisioterapia. Nem falei pra ela que eu tinha até jogado bola, pra evitar conflitos (espero que ela não leia o meu blog e não venha me assassinar... mas se ela lê: Um beijo, Cibele!). Em abril, fiz uma ressonância magnética, e fui liberado para jogar. Ainda bem. Joguei tranquilamente pelo resto do ano, e meu tornozelo não dói desde então.

Mas, sabe, meu joelho está doendo desde ontem à tarde, quando joguei  futebol. E o pior é que eu nem sei em que lance começou essa dor. Estou com medo de ser alguma coisa séria, de novo. 2010 já vai tarde, viu...

PS: E a explicação para a minha música favorita de 2010 ter sido "Shadow of the day" vem da minha lesão no tornozelo. Na  internet, em busca de prazos para voltar a jogar, e outros exemplos de jogadores lesionados, cheguei ao vídeo abaixo, que mostra o lado ruim do futebol, inclusive as mortes de atletas em campo. É nesse ponto que aparece a música do Linkin Park, aos 3:05 - não é interpretada por eles, e é uma versão mais lenta do que a original.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dia 8 – Meu lugar preferido em 2010


Não só o lugar preferido de 2010, como o lugar preferido de sempre: Taubaté. De onde eu vim, onde eu estou e onde quero estar, ainda que haja uma capital no meio do caminho.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dia 7 – Meu parceiro/a de 2010

Bom, mais uma vez não dá pra dar apenas uma resposta ao tema de hoje. Seria injusto escolher apenas um nome, porque várias pessoas foram minhas parceiras em 2010.
Primeiro, um cara que teve uma ideia mirabolante pra um trabalho de faculdade, me convencendo a fazer um bate-volta pro Paraguai: o Vinícius Blanka. A história dessa viagem eu já contei aqui, em quatro partes. Fora essa viagem, é um exemplo de amizade. E ele tem uma casa na praia.

Depois, ainda na faculdade, um outro rapaz, que não pôde nos acompanhar na viagem ao Paraguai, mas que esteve sempre presente: o Victor, que sabe cantar mais ou menos e faz um churrasco razoável, dá pra comer sem vomitar.

Durante a minha estadia em São Paulo, quando não estou na faculdade, geralmente estou no apartamento, onde tenho a companhia - só depois de meia-noite, quando ela dorme em casa - da ilustríssima Erika, minha prima. Uma garotinha supimpa, que faz Moda e, nas horas vagas (ou não), me conta suas aventuras no Brás e em outros lugares paulistanos que nem o Google deve conhecer.

E meu irmão Thiago, e ele sabe o porquê. Esse meu irmão é brother.

Só não saio sem agradecer a todo mundo que também esteve do meu lado. Meus pais, Thaís, meus amigos que eu não pude ver tanto nesse ano... vocês são sempre importantes pra mim.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia 2 – Mas 2010 ainda não acabou, ainda vou tentar...

...fazer muitas coisas, afinal ainda temos um mês até o ano terminar.


O mês de dezembro, coitado, é sempre esquecido, quando ele chega todo mundo já está pensando no próximo ano. Talvez por isso ele seja o que "passa mais rápido". E é o mês que eu mais gosto, pelo menos enquanto eu ainda não trabalho.

Voltando à proposta do meme pra hoje, o que eu ainda vou tentar esse mês:

Ficar em casa, comer demais, assistir muitas séries, ler livros, ir ao cinema, jogar bola, dormir além do necessário. Talvez eu vá à praia. E tem o Natal também, e isso implica em festas, presentes, comer mais um pouco...

Seja sempre bem-vindo, dezembro.

PS: Olha, lá se foi o primeiro dia do mês, e eu mal percebi.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Minhas maiores paixões

Com quatro meses de blog, devo exaltar a façanha de não ter feito até aqui um post sequer sobre futebol, sobre Flamengo. A minha resistência (que, diga-se, não foi forçada) acaba aqui, e eu vou tentar contar a história da minha maior paixão. Ou das minhas maiores paixões: futebol e Flamengo. As duas histórias juntas. Até pensei em separar, mas não dá pra contar uma sem contar a outra.


Não sei como nem quando me tornei flamenguista. Mas sei por que me tornei flamenguista. Minha família quase inteira, por parte de pai, torce para o Flamengo. Eu apenas fiz o meu dever de levar a paixão adiante.

Meu pai não é muito ligado em futebol. Aliás, pouca gente da família é. E eu nunca tive, quando criança, muito interesse em assistir aos jogos na TV. Era quando meu pai assistia, o que era raro. E era “uhul Flamengo jogou tchau vou brincar”, nem me importava com campeonato, com nada disso.

E, ao mesmo tempo, eu não gostava de futebol. Como eu falei no meu primeiro post aqui, eu ficava na biblioteca da escola durante os intervalos. Eu gostava de Handebol, jogava só na aula de Educação Física, e era horrível. Basquete, vôlei e futebol, eu só tentava.

Tudo isso começou a mudar no fim de 2001, quando, sabe-se lá por quê, eu decidi começar a jogar de vez em quando nos intervalos. E, no ano seguinte, o Brasil ganhou a Copa. Tenho boas lembranças dos jogos, que aconteciam de madrugada, ou de manhã. Passei a dar mais chances pro futebol, e a jogar (mal) mais na escola.

Apesar de 2002 ter ajudado a mudar as coisas, só comecei a assistir jogos mesmo no meio de 2003. E nem me liguei tanto no Flamengo, apesar de torcer, ver quanto foi o jogo, a posição na tabela (mas só de vez em quando). Lembro bem da minha primeira tristeza com o Flamengo: a derrota para o Cruzeiro na final da Copa do Brasil. E, naquele ano, quando o Cruzeiro foi avassalador e ganhou também o Campeonato Brasileiro, eu só me importei, na última rodada, em ouvir no rádio do carro dos meu tios, em Santos, o Flamengo ganhar do São Paulo no Morumbi com dois gols do Edilson, e conquistar um maravilhoso 8º lugar.

Foi aí que tudo começou (tá, agora de verdade). Em 2004 eu já aprendi o que era Copa São Paulo, fui ver jogo em Taubaté, descobri que o Taubaté tinha sido campeão da série A-3 do Campeonato Paulista, que disputaria a A-2, e poderia subir pra A-1 e jogar contra Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo. Acompanhei tudo o que me interessava, de ponta a ponta.

E, nesse mesmo ano, algumas coisas ficaram marcadas: em abril, vi o primeiro título do Flamengo, conquistado num clássico contra o Vasco. Em junho, o Flamengo conseguiu perder a Copa do Brasil para o Santo André, num Maracanã lotado. Podendo empatar por 0x0 e 1x1, perdeu de 2x0. Foi a primeira vez que chorei por causa de futebol, tamanho era o ridículo da situação. Em outubro, eu tentava descobrir um jeito de acompanhar Flamengo x Santos numa quarta-feira à noite, quando vi, pela TV, o Abel Neto aparecendo durante Criciúma x Corinthians para anunciar que o zagueiro Serginho, do São Caetano, tinha falecido. No dia seguinte a esse, fui, pela primeira vez, jogar futebol na Escola do São Paulo, em Taubaté. Em novembro e dezembro, vi o fim da saga do Flamengo para escapar do rebaixamento no Brasileiro. E, para somar-se ao Flamengo e ao Taubaté, conheci o futebol internacional. Graças a um cara chamado Ronaldinho Gaúcho, que estava jogando tudo e mais um pouco, passei a torcer também pelo Barcelona.


O Flamengo conquistou, desde esse fatídico 2004, uma Copa do Brasil, em 2006, um tricampeonato Carioca em 2007, 2008 e 2009, e o último Campeonato Brasileiro, a minha maior alegria no futebol até hoje. Mas me causou, em 2005, um sofrimento pior que o de 2004, e três eliminações vergonhosas na Libertadores (uma delas valeu uma crise nervosa, em 2008). Tudo bem, faz parte. Do Barcelona eu ganhei tudo que poderia. E o Taubaté, apesar de dois rebaixamentos e alguns papelões, me deu a oportunidade de assistir ao fim de jogo mais emocionante que eu já vi, com direito a estar a poucos metros de um gol decisivo aos inimagináveis 54 minutos do segundo tempo.


A Escola do São Paulo mudou de time, virou Santos, em 2005. Não saí de lá até hoje, porque não vi motivo para deixar de fazer a coisa que eu mais gosto de fazer, que é jogar futebol. É quando eu me sinto bem, quando eu esqueço todas as coisas chatas que eu preciso fazer. Tá, eu também jogo toda sexta à noite, mas uma coisa não exclui a outra.

Não, toda essa história de como eu comecei a gostar de futebol, do Flamengo, do Taubaté e do Barcelona não explica o grau em que a paixão chegou. Porque não dá pra explicar. Só dá pra sentir.