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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dia 1º – Peraí... 2011 tá acabando?

Avenida Paulista ficando arrumadinha pro Natal do ano passado
Pois é, o ano está acabando sim. Percebi isso da mesma maneira de sempre. Olhando o calendário? Não, vendo enfeites de Natal espalhados pela rua. Isso foi há cerca de um mês, o que, como em todo fim de ano, equivale a uma semana.

Eu acho um absurdo o ano ter passado tão rápido. Eu estava respondendo esse mesmo meme já faz um ano, falando as mesmas coisas que estou repetindo agora (lidem com isso durante o restante do mês), e nem parece ter passado tanto tempo.

Comparando com 2010, 2011 foi um ano bem melhor. Mas 2010 foi um ano ruim, então não é um parâmetro muito consistente pra mim. Digamos que 2011 foi, então, mais rápido que o anterior, e sem grandes emoções. Espero mais de 2012. E, com certeza, terei... TCC existe pra isso.

Como foi 2011?

Lembram que no ano passado fiz um post por dia em Dezembro, seguindo o "Meme das Antigas"?

Então, ele está de volta, um pouco mais compacto, com um post a cada dois dias. E aqui estou eu de novo, participando. Pra quem quiser, a proposta completa está no "Pequeno Inventário de Impropriedades", e a agenda de posts é a seguinte:

Dia 01/12 – Peraí... 2011 tá acabando?
Dia 03/12 – Mas 2011 ainda não acabou, ainda vou tentar...
Dia 05/12 – Meu filme preferido em 2011
Dia 07/12 – Meu site/blog preferido em 2011
Dia 09/12 – Um vídeo do YouTube em 2011
Dia 11/12 – Meu livro favorito em 2011
Dia 13/12 – Minha música favorita em 2011
Dia 15/12 – Meu melhor e meu pior dia de 2011
Dia 17/12 – Em 2011 eu pela primeira vez...
Dia 19/12 – Em 2011 eu pensei em fugir para...
Dia 21/12 – Em 2011 eu tentei...
Dia 23/12 – Em 2011 eu consegui...
Dia 25/12 – O bom de 2011 foi...
Dia 27/12 – O problema de 2011 foi...
Dia 29/12 – Uma foto minha em 2011
Dia 31/12 – E 2012?

domingo, 26 de junho de 2011

Passatempo

Há pouco tempo atrás fiz aniversário. Eu me pergunto: o que eu senti? Me senti mais velho. Sabe, aquela pergunta de todo ano, que os outros fazem: "e ae, comé que ce tá se sentindo mais velho?"? Foi isso, dessa vez de mim pra mim mesmo. "Mais velho".


Mas nesse aniversário eu me senti particularmente "mais velho". Cada vez mais eu percebo o quanto é difícil ter de dizer adeus pra certas coisas. E percebo que eu sou mais nostálgico do que eu pensava. Me imagino chegando aos 105 anos no sofá de casa, sentindo saudades da infância, da adolescência, ou mesmo dos meus 99 anos.

Muitos dos meus posts mostram esse meu lado nostálgico. E vão continuar mostrando. Seja pra falar da infância, seja pra falar de poucos meses ou anos atrás. Nessa fase, de um ou dois meses pra cá, em que eu confesso que não sabia o que postar (e continuo sem saber), reli alguns posts, parei para ver meu jeito de escrever e de ser. Concluí que eu sou ao mesmo tempo um velhinho e uma criança unidos no corpo de um jovem de dezenove anos. Não apenas pelos posts, mas pelo que eles me fizeram pensar.

Como uma criança curiosa, eu me pergunto: isso é bom? Como um velho chato, eu vejo duas respostas pra isso: sim e não.

Sim, porque, como um velho - chato ou não - eu me sinto maduro em certas ocasiões que outras pessoas até mais velhas não costumam ser, e, ao mesmo tempo, sou uma criança que não quer crescer, mesmo crescida.

Não, porque, como um velho ou uma criança, eu talvez não seja o que deveria ser: alguém com dezenove anos.

É aquela velha história clichê de ter que aprender a viver o presente. Muitas vezes penso demais no passado, imagino demais o futuro, e o meu presente é vivido à base de lembranças ou planos. Acabo me preocupando com o que aconteceu ou com o que pode ou vai acontecer sem valorizar o momento.
Mas posso dizer que não vou mudar tão cedo, e nem pretendo. Não quero deixar morrer esse velho nostálgico nem essa criança inocente que fazem parte de mim. Porque são isso mesmo: parte de mim. E, sendo parte de mim, que continuem a me acompanhar. E que, assim, a vida continue.

**sobe som de "Deixa a vida me levar" - Zeca Pagodinho** (ou não, né)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Apito final

Essa história começou há mais de 6 anos, e está terminando hoje. Pode ser algo bobo pra maioria de vocês, mas representou muito pra mim. Afinal, uma coisa que durou um terço da minha vida não pode ser insignificante. Não pra mim.

Na verdade mesmo, começou há mais de 12 anos, quando meu irmão resolveu entrar numa escolinha de futebol (aliás, odeio chamar de "escolinha", parece que só aceitam crianças com até 10 anos de idade). Lembro-me muito bem dele e do meu pai sentados na mesa da sala de jantar, examinando um panfleto em que estava escrito "São Paulo Futebol Center". Eu estava do lado, nem gostava de futebol, mas entrei na onda.


- Pai, também quero.

- Mas você é muito pequeno (eu tinha cinco ou seis anos) e blablablá - foi mais ou menos o que ele deve ter me falado.

- Mas eu quero.

No fim, eu entrei, junto com o meu irmão, na escolinha de futebol do São Paulo. Não fazia nada no campo, parava na lateral, coçava a bunda, cutucava o nariz, brincava com o montinho de areia que tinha ali, e nada de jogar bola. O máximo que eu fazia era bater pênalti, porque o professor pedia, e mandava o goleiro deixar a bola entrar. Eu não gostava de ir jogar, essa é a verdade. Tanto que saí de lá pouco tempo depois.
Fomos vice-campeões. Acho que tinham dois times.

Em 2004, já começando a me apaixonar por futebol, eu voltei. E lembro exatamente o dia: quinta-feira, 28 de outubro. Não pelo dia em si, mas pelo dia anterior, em que o Serginho, zagueiro do São Caetano, sofreu uma parada cardiorrespiratória durante um jogo contra o São Paulo, e acabou morrendo. Dessa vez, tudo foi diferente. Nunca deixei de ir a um treino porque não estava com vontade, ao contrário do que eu fazia antes.

Como o São Paulo não apoiava e nem sequer listava a unidade de Taubaté em seu site oficial, a escola mudou, e virou "Meninos da Vila", do Santos, em setembro de 2005. Quando me formei na 8ª série, no fim do ano, pensei que não poderia continuar ali em 2006, por causa do ritmo do Ensino Médio. Mas continuei, e levei numa boa. Quando precisei, mudei de horário. Cheguei a jogar com meninos 5 anos mais novos do que eu. Tudo pra não sair de lá.

Quem vê pensa
No fim de 2008, passei na faculdade, em São Paulo. Então, obviamente, em 2009, eu não poderia continuar a jogar no Santos ("Santos", como sempre chamei, nunca gostei de "Meninos da Vila"). Ou poderia. Cheguei a avisar que iria sair, mas na primeira semana de faculdade, percebi que seria possível continuar a treinar uma vez por semana, no fim da tarde das sextas-feiras. Durante as férias, voltava a treinar mais vezes.

Já em 2010, em outubro ou novembro, fui avisado que o horário da minha turma de sexta-feira seria alterado para 14h30. Continuei no horário antigo até as férias começarem, e concluí que enfim, quando as férias acabassem, seria impossível continuar. Eu, com 18 anos, me senti velho, pela primeira vez. Velho mesmo, a ponto de achar que o dono, os professores e os alunos, quando me viam,  se perguntavam: "o que esse cara ainda faz aqui?" E o sentimento era ainda pior quando alguém ficava sabendo que eu estava na faculdade, e em outra cidade. Dava até pra ouvir o pensamento: "nossa, vai embora". Foi estranho ler comunicados, panfletos, e ver que as categorias mais velhas já eram de 94 (eu sou de 92). Mesmo sabendo que eu só estava ali pra jogar bola, pra me divertir, fazer o que eu gosto.

Fiz gols, perdi gols, suei, corri, andei, viajei... Hoje, ouvi o meu último apito final no Santos. Nunca gostei de apitos finais, porque é o instante em que o jogo termina. É quando eu percebo que um momento que parecia infinito uma ou duas horas antes chegou ao fim. E esse, hoje, foi o pior apito final de todos.


Agradeço a cada aluno que entrou, saiu, até aos que me xingaram... e aos poucos amigos que fiz, ainda que o contato não seja frequente ou a amizade não seja tão forte assim. Agradeço a cada professor: Piorra e Amauri (da época que eu treinava com o meu irmão); Rafael, Marcelo, Wagner, Osvaldo, Lucas, Pablo, Guilherme, Leandro, Michel e Rodrigo (e eu devo ter esquecido de algum). Agradeço aos funcionários, e até ao Vicente, dono da escola, que passou a me importunar pra escrever algumas linhas desde que soube que eu comecei a fazer Jornalismo.

Por fim, um recado pra quem fez gracinha, pra quem acha engraçado eu ter feito "escolinha", por jogar bola e não trabalhar, ou sei lá: eu aproveitei ao máximo essa chance de poder fazer o que eu gosto com frequência. Não iria ficar em casa ou trabalhar, numa tarde de sol ou de chuva, se eu ainda tinha a oportunidade de estar fora dali fazendo uma coisa que eu gosto dez vezes mais. A vida passa rápido demais, e eu estou sentindo isso na pele nesse momento. E agora não posso fazer nada quanto a isso, mas estou satisfeito por ter feito tudo o que pude para aproveitar.

Eu sei o que vão pensar desse texto... que é ridículo lamentar por essas coisas, e tudo mais. Mas, repito, eu estou praticamente me despedindo de um lugar onde passei um terço da minha vida, até agora. O mínimo que eu poderia fazer era escrever sobre ele, e unir, mesmo que por algumas linhas, a minha paixão pelas palavras a um lugar onde eu fui muito feliz.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dia 18 – Em 2010 tive inveja de...

Hoje eu tenho inveja das crianças, dos (pré)adolescentes... sim, eu estou com apenas 18 anos, sei que eu tenho que aproveitar, mas já tenho saudades, e, sim, até sinto inveja. Porque não é legal ficar fazendo trabalhos exaustivos para a faculdade, que nós não tínhamos antes. Ter que se preocupar com outros montes de coisas, e lamentar o que você não pode fazer mais. Envelhecer é chato, ser criança é tão bom... são coisas da vida.

Eu escreveria um post maior, mas o meu amigo daltônico já falou o que eu penso sobre o assunto.

Só que, se eu voltasse a ser criança, eu gostaria de voltar também para os anos 90, pra não correr o risco de ser influenciado pelos coleguinhas e virar um fã de Restart. 

A criança mais velha do Brasil, e o velho mais criança do Brasil (quero ser assim, Papai Noel)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dia 13 - Meu melhor dia de 2010

Eu poderia simplesmente não me esforçar e dizer que o melhor dia de 2010 foi 8 de junho, porque é meu aniversário. Aliás, é o que eu vou fazer, porque não foi apenas o dia do meu aniversário. Foi um dia em que a minha família, as pessoas que mais importam na minha vida, estiveram do meu lado. E, infelizmente, isso foi raro nesse ano.

Outro dia muito bom foi o dia 23 de novembro. Não tem sensação melhor do que o sentimento de "É TETRA" ao entregar o último trabalho da faculdade e ir embora pra casa. Simples assim.

E, assim como nos últimos anos, a sexta-feira. O dia da semana mesmo, porque, de um modo geral, a maioria das sextas-feiras são sempre muito boas, porque eu estou sempre à vontade, jogo futebol, e a 2ª feira ainda está distante. E não saberia escolher apenas uma.

Os dias em que me reuni com os amigos no Shopping Paulista - e comemos pizza, ou assistimos Harry Potter -, aqueles em que recebi os amigos em casa, todos estiveram entre os melhores.

Só mais um dia, e esse é o último (o último que vou citar, porque espero que ainda tenha algum dia muito bom entre os que restam para o ano terminar): o dia deste post, 13 de dezembro. Vou colocar o horário do post como 23h59 do dia 13, mas, na verdade, eu não consegui postar a tempo. Estou postando por volta das 2h do dia 14. Porque, apesar de ter acordado cedo - e atrasado - pra fazer uma prova, ter tomado chuva, e esperado uma hora pela minha prima e pela amiga dela no shopping, o dia foi ótimo. Porque, mesmo atrasado, cheguei a tempo de poder começar a prova, e acredito que tenha ido bem. Mesmo com a chuva, e com o atraso das duas, nós ficamos horas sentados numa mesa do McDonald's falando porcarias e cantando Sandy & Junior. E depois ainda fui a uma singela despedida do meu amigo Victor, que vai viajar daqui a alguns dias para o Canadá, me empanturrei de batata frita e Coca-Cola.

Nenhum dia extraordinário, mas parece que, nesse ano, as pequenas coisas, como as que eu falei, tiveram um valor maior pra mim. E, por isso, não pude escolher apenas um dia. E estou postando no dia errado. Mas quem se importa, quando o tempo que eu "perdi" foi gasto vivendo?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia 2 – Mas 2010 ainda não acabou, ainda vou tentar...

...fazer muitas coisas, afinal ainda temos um mês até o ano terminar.


O mês de dezembro, coitado, é sempre esquecido, quando ele chega todo mundo já está pensando no próximo ano. Talvez por isso ele seja o que "passa mais rápido". E é o mês que eu mais gosto, pelo menos enquanto eu ainda não trabalho.

Voltando à proposta do meme pra hoje, o que eu ainda vou tentar esse mês:

Ficar em casa, comer demais, assistir muitas séries, ler livros, ir ao cinema, jogar bola, dormir além do necessário. Talvez eu vá à praia. E tem o Natal também, e isso implica em festas, presentes, comer mais um pouco...

Seja sempre bem-vindo, dezembro.

PS: Olha, lá se foi o primeiro dia do mês, e eu mal percebi.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dia 1º - Peraí... 2010 tá acabando?


Sempre passa rápido. "Nossa, esse ano passou muito rápido, cê viu?". Sempre é esse o comentário quando dezembro chega. Mas eu vou dizer: esse ano passou MUITO rápido. Levei um susto quando, há algumas semanas, vi as primeiras decorações de natal na Av. Paulista. Sempre são elas que me fazem perceber o quanto o tempo foi cruel dessa vez.

E 2010 foi isso aí, muita rapidez, muitos trabalhos na faculdade, coisa boa, coisa ruim, comecei o blog, assisti a algumas séries, a vários filmes, li muitos livros, joguei bola (menos do que gostaria)...

E não sei muito o que dizer desse ano. De forma geral, foi ruim, não gostei. Começou da pior maneira que poderia começar, melhorou um pouco, e espero que termine bem. Afinal, ainda tem um mês inteiro pela frente.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Como foi 2010?


Depois de escrever 9 coisas sobre mim, aqui estou eu, 2 meses depois, trazendo mais um "meme" indicado pela Isa. Mas dessa vez, isso implica necessariamente em mudar o ritmo de posts do blog. Foram 4 posts em julho, no nascimento do "Eh bien". Só 2 em agosto, 6 em setembro, 4 em outubro, e agora mais 4 em novembro, contando com esse.

Se eu seguir o meme à risca, postarei no mínimo 31 vezes em dezembro.

Bom, o meu papel hoje é explicar no que consiste essa história, pra começar amanhã. Lá vai:

Eu basicamente tenho que postar em todos os dias do mês. Seguindo a programação abaixo, que, eu explico, não foi feita por mim. Terei que fazer algumas pesquisas, pra saber ao menos quem é Heleninha Roitman.

Dia 01/12 – Peraí... 2010 tá acabando?
Dia 02/12 – Mas 2010 ainda não acabou, ainda vou tentar...
Dia 03/12 – Meu filme preferido em 2010
Dia 04/12 – Meu site/blog preferido em 2010
Dia 05/12 – Um vídeo do YouTube em 2010
Dia 06/12 – Meu livro favorito em 2010
Dia 07/12 – Meu parceiro/a de 2010
Dia 08/12 – Meu lugar preferido em 2010
Dia 09/12 – Meu show preferido de 2010
Dia 10/12 – Minha música favorita em 2010
Dia 11/12 – Minha compra de 2010
Dia 12/12 – Meu pior dia de 2010
Dia 13/12 – Meu melhor dia de 2010
Dia 14/12 – Em 2010 eu pela primeira vez...
Dia 15/12 – Em 2010 eu pensei em fugir para...
Dia 16/12 – Em 2010 eu tentei...
Dia 17/12 – Em 2010 eu consegui...
Dia 18/12 – Em 2010 tive inveja de...
Dia 19/12 – Em 2010 eu quase...
Dia 20/12 – Em 2010 eu descobri que...
Dia 21/12 – Em 2010 eu quis matar...
Dia 22/12 – E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para...
Dia 23/12 – E o troféu me mata de orgulho de 2010 vai para...
Dia 24/12 – Meu momento "Eu sou Ryka" em 2010 foi...
Dia 25/12 – Meu momento "Heleninha Roitman" em 2010 foi...
Dia 26/12 – Meu momento "Paola Bracho" em 2010 foi...
Dia 27/12 – Meu momento "Carla Perez" em 2010 foi...
Dia 28/12 – O problema de 2010 foi...
Dia 29/12 – O bom de 2010 foi...
Dia 30/12 – Uma foto minha em 2010
Dia 31/12 – E 2011?
 
Já faço questão de explicar hoje mesmo que talvez fale mais do que o necessário em alguns posts, e talvez não tenha muita coisa pra falar em outros. Mas vou tentar seguir o planejamento, a princípio. Se eu não tiver acesso à internet em algum dia, farei o possível pra postar mais de uma vez no dia anterior ou no seguinte a esse.
 
Acompanhem aí. Será um prazer ter vocês aqui lendo meus posts.
 
Quem ainda não entrou na brincadeira, fiquem tranquilos que dá tempo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Flashback


O cenário é Taubaté, mais especificamente a Escola São Luís. A data, uma manhã de segunda-feira qualquer entre 2002 e 2005. Aula de História. A professora abria o livro no ponto onde tínhamos parado na aula anterior, e os próprios alunos liam, ao seu comando, cada parágrafo do capítulo, em ordem de fileiras ou pela escolha de cada um deles. A cada divisão do capítulo, ela parava a leitura, levantava-se e explicava algumas coisas sobre a matéria. A voz dela era leve, suave, lembro bem até hoje. Raramente levantava o tom, mas tinha lá seus momentos de impaciência. Afinal, convenhamos, alunos são alunos em qualquer lugar.

A história é essa. Simplesmente uma professora do "ginásio", de quem eu gostava, tinha seus métodos de ensinar e fazia provas de uma maneira que favorecia a quem estudasse. Corretíssimo.

Em 2005, me formei na 8ª série. Minha escola não tinha o Ensino Médio, então todos nós tivemos que nos mudar para outras. Cada um foi para um lugar diferente, e eu fiquei separado das pessoas de quem eu era mais próximo. A maioria delas foi para a mesma escola, inclusive. Num dia de 2006, fui visitá-los, depois da aula. E, num lugar ao lado da escola, que não faço ideia do que seja, um carro chegava, mas parou. O vidro do carona se abaixou, e, ao volante, lá estava a nossa professora de História. Ela sorriu ao ver seus ex-alunos, falou que estava sentindo nossa falta. E, bom, isso já faz mais de quatro anos. Foi uma das últimas vezes que eu a vi, ou pelo menos a que ficou na minha memória.

O cenário é, de novo, Taubaté. A data é ontem. Como quase sempre, aos domingos, minha mãe veio me acordar já durante a tarde. E me perguntando se a Viviane no meu Orkut era a diretora da Escola São Luís, onde eu tinha estudado até a 8ª série. Sim, provavelmente. Se a Zélia era minha professora de História. Sim, era. Ela tinha falecido. Não senti nada, a não ser um pouco de saudades daquela época. De como tudo era mais simples. Da biblioteca. Da minha primeira professora de História.

Bom, eu levantei e fui ver o recado que a Viviane tinha me deixado. Era verdade, o enterro seria em poucas horas. Depois soube que a causa da morte tinha sido diabete.

Tudo isso me entristeceu, claro. Fiquei chocado, ela era bem nova ainda. Eu gostava muito dela. Mas o tempo fez com que eu não sentisse tanto o que aconteceu ontem. E comecei a pensar: por que isso aconteceu comigo? Será que é melhor estarmos afastados daqueles que nós gostamos na hora da morte? Não estou sugerindo que alguém tente fazer isso. Mas digo isso porque, em 2007, perdi um professor de Biologia, e eu o via todas as quintas-feiras. Ali sim eu senti a perda, me abati. Ele era legal, mas eu não tive nem dois meses de aula com ele. Nem tive tempo pra gostar tanto dele quanto da Zélia. E, sim, essa é mais uma reflexão sobre o tempo... e como ele é estranho.

Quanto à Zélia, eu vou continuar, como nos últimos 4 anos, gostando muito dela. A diferença é que antes eu poderia esperar algum encontro casual no supermercado, e agora não mais. É duro dizer isso, mas acho que a vida é assim.

E, bom, pra mim não importa o quanto eu fucei por aí (sempre faço isso), mas descobri que a mãe dela disse o seguinte, no enterro, para uma aluna da Zélia: "Ela não teve filhos porque dizia que vocês eram os filhos dela." E tem como não ficar feliz em saber disso? Se ela pudesse me ouvir, ou ler, gostaria que soubesse que eu sinto orgulho de ser "filho" dela. Da minha primeira professora de História.